Tecnologia e Ciência Celulares e tablets estão fazendo as crianças ficarem mais inteligentes?

Celulares e tablets estão fazendo as crianças ficarem mais inteligentes?

Contato precoce com a tecnologia pode trazer vantagens na aprendizagem, mas também podem afetar o desenvolvimento natural, dizem especialistas

Dia das crianças

Crianças usam a tecnologia para se divertir e também para aprender

Crianças usam a tecnologia para se divertir e também para aprender

Pixabay

Toda família tem uma ou mais crianças com fama de ser muito inteligente. Os pequenos gênios falam palavras em inglês, fazem contas simples de matemática e podem até conhecer alguns detalhes de geografia e história. Muitas vezes, essas habilidades foram desenvolvidas com auxílio de aplicativos e vídeos em celulares e tablets.

Por um lado existem pessoas que acreditam que esse novo comportamento seria uma evidência de que a tecnologia está ampliando a capacidade intelectual do ser humano. Do outro, especialistas acreditam que os dispositivos eletrônicos devem ser vistos com muita cautela, principalmente quando a mão que segura o aparelho for de uma criança.

O contato precoce com a tecnologia pode não ser tão benéfico quanto parece. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é que menores de 2 anos de idade não tenham contato nenhum com telas. Somente a partir desse período seria adequado introduzir equipamento eletrônicos no cotidiano dos filhos.

Leia mais: Quando os pais podem dar celulares e tablets para os filhos?

"A tecnologia aproxima as crianças dessas aprendizagens, mas às vezes não tem necessidade de forçar essas aprendizagens fora de época", diz o prof. Dr. Saul Cypel, livre docente de neurologia infantil da Faculdade de Medicina da USP.

O médico ressalta a necessidade dos pais de entenderem cada fase da vida dos filhos para avaliarem as vantagens de antecipar a aprendizagem. Ele acredita que é melhor esperar o momento em que existe um contexto e uma compreensão do que está sendo ensinado. 

A neuropsicóloga Roselene Wagner afirma que o uso excessivo da tecnologia, cria a hiperconectividade com o mundo virtual. Isso provocaria o distanciamento da pessoa de suas emoções e sentimentos ocasionando ansiedade, stress e depressão.

"Não nego que a tecnologia usada com parcimônia, é uma ferramenta útil. Porém é importante explicar para as crianças que a tecnologia é um meio para um fim", diz Roselene. "O que é está sendo desenvolvido dentro da era digital, é uma pseudointeligência", completa. 

A neuropsicologa afirma que a tecnologia pode provocar um atraso na aquisição da linguagem, como redução do vocabulário, na percepção e interpretação do mundo e ainda estimular comportamento típicos de crianças pequena por um tempo maior do que o esperado.

Para o Dr. Saul, ainda não há dados suficiente para determinar que as crianças desta geração têm uma inteligência fora do normal. "Nós ainda não temos uma convicção de que as crianças são mais inteligentes hoje. Elas realmente têm mais habilidades com a tecnologia, mas em termos de inteligência não é possível fazer a afirmação".