Tecnologia e Ciência Estudo chocante revela que 'ilha de lixo' maior que o Amazonas agora tem um ecossistema próprio

Estudo chocante revela que 'ilha de lixo' maior que o Amazonas agora tem um ecossistema próprio

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico flutua de forma permanente na costa oeste dos EUA e pode pesar mais de 80 mil toneladas

Resumindo a Notícia
  • Um estudo revelou que animais se desenvolvem em um aglomerado de lixo gigante.

  • A Grande Mancha de Lixo do Pacífico flutua entre a Califórnia e o Havaí.

  • Os animais são principalmente costeiros e não de mar aberto, o que foi surpreendente.

  • Apesar de ser chamada de 'ilha', a porção de lixo não é densa como o nome sugere.

Porção gigante de lixo desenvolveu um ecossistema próprio

Porção gigante de lixo desenvolveu um ecossistema próprio

Flickr/@kevinkrejci (Sob Licença Creative Commons)

Cientistas descobriram que uma comunidade de animais invertebrados, como caranguejos e anêmonas, está se desenvolvendo em um aglomerado de lixo de mais de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, que flutua permanentemente no Oceano Pacífico, entre a Califórnia e o Havaí.

Em estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution, nesta segunda-feira (17), revelou que a comunidade prospera há anos em meio aos resíduos plásticos conhecidos como  Grande Mancha de Lixo do Pacífico.

Os pesquisadores afirmaram que as descobertas sugerem que a poluição no oceano pode estar contribuindo para a criação de novos ecossistemas flutuantes, onde espécies que normalmente não seriam capazes de sobreviver em mar aberto acabam por prosperar.

Os estudiosos examinaram 105 itens de plástico, e encontraram 484 organismos invertebrados marinhos, representando 46 espécies diferentes, das quais 80% eram normalmente encontradas em habitats costeiros.

Diversos componentes de plástico têm um ecossistema próprio

Diversos componentes de plástico têm um ecossistema próprio

Reprodução/Haram, L.E., Carlton, J.T., Centurioni, L. et al. (via Nature)

Linsey Haram, cientista do Instituto Nacional de Alimentos e Agricultura, pesquisadora da Universidade da Georgia e principal autora do estudo, disse em entrevista à CNN que foi surpreendente ver a frequência das espécies costeiras, presentes em 70% dos detritos encontrados.

“Uma grande porcentagem da diversidade que encontramos eram espécies costeiras e não as espécies pelágicas nativas do oceano aberto que esperávamos encontrar”, completou a pesquisadora.

Haram disse que as consequências da introdução de novas espécies nas áreas remotas do oceano ainda não são totalmente compreendidas e nem como esses animais chegaram em um local tão distante da costa.

Além disso o funcionamento do novo ecossistema também permanece um mistério. Ela alega que as espécies estão competindo por espaço e muito provavelmente devorando umas as outras.

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico é a maior acumulação de plástico oceânico do mundo, maior que o Amazonas e quase sete vezes a área do estado de São Paulo. Ela foi formada devido às correntes marinhas que passam na região, que criaram um vórtice de lixo gigantesco.

Matthias Egger, chefe de assuntos ambientais e sociais da The Ocean Cleanup, afirmou que o aglomerado não é tão denso quanto se pensa, mas sim que os pedaços de plástico estão espalhados entre si, como estrelas no céu.

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico possui a área de sete estados de São Paulo

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico possui a área de sete estados de São Paulo

Pexels

“Se você está lá fora, o que vê é apenas um grande oceano azul normal", completou o cientista que ajudou na pesquisa de Haram.

Estima-se que existam cerca de 1,8 trilhão de pedaços de plástico na mancha, que pesam cerca de 80 mil toneladas. A maior parte do lixo encontrado na mancha vem da indústria pesqueira, enquanto entre 10% e 20% do volume total são destroços do tsunami japonês de 2011.

Em 2017, um movimento liderado por organizações de defesa ambiental, tentou tornar a Grande Porção de Lixo do Pacífico um país oficial, que seria chamado Trash Isles (Ilhas de Lixo). A ONG Plastic Oceans Foundation chegou a apresentar inscrição na ONU, e cerca de 100 mil pessoas se inscreveram para ser cidadãos oficiais, mas a ideia não saiu do papel.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Filipe Siqueira

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