Logo R7.com
Logo do PlayPlus
Tecnologia e Ciência
Publicidade

Meteoro duplamente raro é visto cruzando o céu no sul do Brasil

Astro de origem interestalar, o 1º registrado no país, atingiu a atmosfera da Terra de raspão e provavelmente retornou ao espaço

Tecnologia e Ciência|Sofia Pilagallo*, do R7

Imagem capturada por estação de monitoramento em Taquara, Rio Grande do Sul
Imagem capturada por estação de monitoramento em Taquara, Rio Grande do Sul Imagem capturada por estação de monitoramento em Taquara, Rio Grande do Sul

Um meteoro duplamente raro cruzou o céu do Rio Grande do Sul na noite do último domingo (30). Além de se tratar de um fenômeno conhecido como earthgrazer, o astro também é o primeiro meteoro de origem interestelar registrado pela Bramon (Rede Brasileira de Meteoros).

O evento foi gravado por câmeras do observatório espacial Heller & Jung, em Taquara, Rio Grande do Sul, e de uma estação de monitoramento em Tangará, Santa Catarina. Apesar de as imagens não terem capturado a trajetória completa do corpo celeste, algumas características levam astrônomos à conclusão de que se trata de algo incomum.

"Um earthgrazer é um meteoro que atinge a atmosfera da Terra de raspão, percorre as camadas mais altas do nosso planeta e, dependendo do tamanho e velocidade, retorna ao espaço", afirma o mantenedor da estação de monitoramento em Tangará, Thiago Boesing. "No caso, ele adentrou a atmosfera em um ângulo de 6,1°, em relação ao solo."

"Geralmente, um earthgrazer também não brilha tão intensamente e não apresenta surtos de luminosidade (explosões) em relação aos demais meteoros", diz o mantenedor do Heller&Jung, Carlos Fernando Jung.

Publicidade

"Ele começou a brilhar a 162,7 km de altitude a sul de Capão Comprido, Rio Grande do Sul, seguiu em direção ao norte a 230,7 mil km/h, percorrendo 243,6 km em 3,8 segundos, e desapareceu a 137 km de altitude, a leste de Carlos Barbosa, outra cidade no estado", completa.

Segundo o diretor técnico da Bramon, Marcelo Zurita, o meteoro do último domingo tinha uma velocidade surpreendente: quando atingiu a Terra, sua velocidade sideral (relativa ao Sol) era superior a 46 km/s. Dadas as circunstâncias, ele acredita que o impacto com os gases atmosféricos tenha impulsionado o astro de volta ao espaço — o mesmo efeito que ocorre quando uma pedra é arremessada rente a um lago, por exemplo.

Publicidade

A rápida velocidade do corpo celeste também reforçaria a hipótese de ele ser oriundo de fora do Sistema Solar. De acordo com o diretor, isso pode ser explicado a partir de um cálculo conhecido como "velocidade de escape".

"Em física, chamamos de velocidade de escape a mínima velocidade necessária que qualquer objeto deve atingir para escapar da atração gravitacional de corpos maciços, como planetas e estrelas. No caso do Sol, esta velocidade é de 42km/s", diz. "Antes de adentrar a atmosfera, o objeto viajava a uma velocidade de 46km/s. Isso é incompatível com qualquer objeto que orbita em torno do Sol".

Publicidade

O registro pode ser considerado o mais importante já realizado pela Bramon e, sobretudo, pela estação de monitoramento em Tangará, que há pouco tempo contribui com a rede. Apesar de Boesing já ter capturado diversos meteoros de alta magnitude, para ele, este é, sem dúvida, o mais significativo.

"Além de ser um earthgrazer, o meteoro é também de origem interestelar, o que é um campo novo para a Bramon", afirma. "Vale ressaltar que ainda existem poucos estudos sobre isso, o que traz uma considerável possibilidade de um conhecimento científico mais aprofundado sobre o assunto."

Veja o momento exato em que o meteoro cruzou o céu:

*Estagiária do R7 sob supervisão de Pablo Marques

Últimas

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.