Qual o interesse por trás da exploração de Marte?

Emirados Árabes, China e EUA enviaram missões espaciais para explorar a atmosfera e a superfície do planeta vermelho 

Resumindo a Notícia

  • Missões foram lançadas em julho do ano passado, com poucos dias de diferença
  • Marte pode estar sendo agora objeto de nova corrida espacial
  • Diversos países, entre eles os Emirados Árabes, já manifestaram a pretensão de colonizar o planeta
  • Apesar disso, colonização de Marte está longe de se tornar uma realidade
Marte pode estar sendo agora objeto de nova corrida espacial

Marte pode estar sendo agora objeto de nova corrida espacial

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Fevereiro está sendo um mês movimentado para Marte. Nesta semana, os árabes e os chineses chegaram à órbita marciana com menos de 24 horas de diferença, e espera-se que na próxima quinta-feira (18), uma terceira missão — a Mars 2020, da Nasa, a agência espacial norte-americana — pouse um rover na superfície do planeta vermelho.

As três missões foram lançadas com poucos dias de diferença em meados de julho do ano passado, período marcado pela aproximação das órbitas da Terra e Marte. O evento astronômico ocorre a cada 26 meses e encurta a distância entre os dois planetas, favorecendo, assim, a exploração espacial.

Para o professor Rodolfo Langhi, coordenador do Observatório de Astronomia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), da mesma forma como a disputa entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética deflagrou uma "corrida à Lua", nos anos 1960, Marte está sendo agora objeto de uma nova corrida espacial.

"A primeira atitude que o homem tomou quando chegou à Lua foi espetar no satélite natural da Terra uma bandeira de seu país. Isso comprova que o interesse era realmente dizer: 'eu fui o primeiro'. Tenho lá minhas dúvidas se não estão querendo fazer a mesma coisa com Marte", afirma.

"Por outro lado, é fato que existe aquela curiosidade nata do ser humano de conhecer mais o universo, de saber o que tem lá, de explorar a composição química da atmosfera e do solo marciano, a possibilidade de ter havido vida no planeta, entre tantas outras questões", completa.

Já o astrônomo Cássio Barbosa, do Centro Universitário FEI, acredita que além do interesse científico, a exploração do planeta vermelho passa ainda pela questão expansionista, uma vez que diversos países, entre eles os Emirados Árabes, já manifestaram a pretensão de colonizar Marte em um futuro não tão distante.

"Os Emirados Árabes têm a meta de colonizar Marte e construir uma cidade marciana com 600 mil habitantes até 2117. O bilionário Elon Musk pretende fazer o algo semelhante até 2050, o que eu, particularmente, acho uma perspectiva irrealista. Apesar disso, talvez ele seja a pessoa mais adiantada nesse sentido, pois foi o primeiro a ter essa ideia", diz.

"O interesse por trás da colonização é sobretudo econômico, uma vez que os foguetes que estão sendo construídos com essa finalidade atualmente terão capacidade para transportar cargas muito maiores para o espaço. Além disso, no caso dos Emirados Árabes, o feito colocaria o país em outro patamar em termos de visibilidade internacional", completa.

Dificuldades

Apesar de a ideia ser bastante empolgante, os astrônomos garantem que a colonização de Marte está longe de se tornar realidade. Além do fato de que será preciso construir foguetes muito mais robustos do que os que já existem atualmente, há uma série de estudos que ainda precisam ser realizados para minimizar os impactos da vida no planeta vermelho à saúde humana.

"Os foguetes provavelmente teriam capacidade para ir até lá, mas não teriam como voltar devido à escassez de combustível", afirma Langhi. "É justamente por esse motivo que as agências espaciais estão estudando a possibilidade de enviar seres humanos para Marte em uma viagem só de ida."

Além disso, diferentemente da Terra, Marte não conta com um campo magnético, que serve de filtro contra a radiação solar e diversos outros fatores nocivos. "Até o momento, sabe-se que essa radiação atravessa a blindagem do foguete, atinge o ser humano, e a longo prazo, pode causar câncer", diz Barbosa. "Passar muito tempo fora da gravidade da Terra pode provocar ainda uma série de outros danos, como calcificação, atrofia e problemas de pressão."

*Estagiária do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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