Brasil

24/12/2012 às 01h00 (Atualizado em 24/12/2012 às 09h50)

Apesar dos apagões, Brasil está longe de reviver crise energética de 2001

Procura por luz vai crescer no mesmo ritmo da economia até 2021

Raphael Hakime, do R7*

Matriz hidrelétrica é a principal usada no Brasil Usina Hidrelétrica de Mauá/10.dez.2012/Divulgação

As quedas frequentes no fornecimento de energia elétrica em alguns Estados do Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil em outubro resgataram a ameaça de um apagão generalizado no País, como aconteceu em 2001.

Onze anos atrás, o baixo nível dos reservatórios e a limitada rede de transmissão se refletiram em uma crise energética nunca vista até então e deixou o País às escuras.

O governo precisou criar um plano de contingência às pressas. As poucas termelétricas foram acionadas e o governo aplicou uma ‘bolada’ nas linhas de transmissão. Houve racionamento de energia e a conta de luz ficou mais salgada para o consumidor.

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Hidrelétrica de Jirau vai atrasar início da geração de energia

Em 2012, porém, apesar das interrupções frequentes, o cenário está longe de repetir o apagão de 2001. O Brasil está preparado para atender à procura por energia elétrica, assegura o professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Marcos Freitas.

— O Brasil já tem uma capacidade de geração, entre hidrelétrica e usinas térmicas, para atender à demanda, mesmo levando em consideração que, às vezes, uma ou outra bacia hidrográfica pode estar com pouca água. É diferente do apagão de 2001, quando faltou energia porque não tinha água nos reservatórios das hidrelétricas.

O especialista destaca ainda que, em 2001, “não havia ainda uma quantidade suficiente de termelétricas para entrar em operação no momento em que não há água”. Agora, segundo ele, o sistema está mais bem distribuído.

Apesar de afastar a desconfiança quanto aos apagões, Freitas diz que é necessário maior rigor na fiscalização das redes de transmissão. Os fios e torres percorrem milhares de quilômetros e estão sujeitos a eventos atmosféricos, como raios, e também a falhas humanas, que podem culminar com a queda de determinados equipamentos.

— A situação não é para alarmismo, mas falta fiscalização do governo nessas linhas de transmissão, seja por meio do treinamento das equipes ou do equipamento utilizado. A Aneel também precisa apertar os distribuidores, porque vai chegar o verão e a demanda aumenta.

Demanda x Belo Monte

Um estudo do início deste ano da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) mostra que o aumento da procura por eletricidade vai seguir um ritmo de 4,5% ao ano até 2021, enquanto a previsão de crescimento das riquezas será da ordem de 4,7%  no mesmo período.

O consumo residencial, industrial e comercial vai saltar dos atuais 472 mil gigawatts/hora de 2010 para 736 mil gigawatts/hora em 2021. Por isso, explica Freitas, construir novas usinas hidrelétricas, como Belo Monte, no Pará, é fundamental para o País.

—O Brasil tem uma taxa de crescimento de demanda de 4 a 5 gigawatts/ano. Então, todo ano, o Brasil precisa colocar na sua matriz essa nova energia para não ter problemas mais adiante.

A usina de Belo Monte vai produzir cerca de 10 gigawatts/ano, então a hidrelétrica suportaria o crescimento da demanda por dois anos, explica o especialista.

— No curto prazo, não resolve o problema, mas tem que ser construída para ajudar no crescimento da demanda de energia do País. Isso também vale para as usinas que estão sendo construídas no rio Madeira, as hidrelétricas de Santo Antônio e Girau.

*Colaborou Filipe Albuquerque, do R7

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