Brasil

20/12/2012 às 01h40 (Atualizado em 20/12/2012 às 01h40)

Brasil corre risco de novo apagão elétrico, alerta federação da indústria do RJ

Níveis dos reservatórios são os mais baixos em dez anos

Filippo Cecilio, do R7

Estudos realizados pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) apontam que o nível dos reservatórios do País está próximo do limite e que o Brasil corre o risco de enfrentar um racionamento de energia elétrica já nos primeiros dias de 2013.

 

De acordo com o gerente de competitividade industrial e investimentos da Firjan, Cristiano Prado, as causas do risco são a falta de chuvas e a má gestão do setor energético nacional, conjunção que fez o País chegar a uma situação limite.

Na última quarta-feira (19), a federação enviou um comunicado a seus associados apontando o “agravamento das condições de oferta da energia elétrica e de gás no País”.

Prado diz que a água contida nos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste representa somente 29,8% da capacidade total de armazenamento. É o nível mais baixo nos últimos dez anos. No mesmo período no ano passado, o nível estava em 62%.

— Estamos na antessala do racionamento e esse é um risco que não queremos correr. A principal caixa d’água do Brasil, hoje, está com menos de 30% da sua capacidade. Esses reservatórios correspondem a 60% do total do País. Na nossa avaliação, isso é uma situação de risco.

A Firjan informa que já pediu esclarecimentos ao MME (Ministério de Minas e Energia) a respeito das providências que estão sendo tomadas para evitar o desabastecimento, mas que até agora não obteve nenhuma resposta.

Para evitar que a redução dos reservatórios atinja níveis ainda mais críticos, todas as termelétricas disponíveis já estão em operação. Para o gerente da Firjan, esse cenário aumenta o risco de racionamento, já que não dá margem para um aumento da geração térmica.

— As térmicas estão rodando há muito tempo na sua capacidade máxima, num momento em que o Brasil não estava preparado para rodar tantas térmicas, porque é uma época de muita chuva. Normalmente, nessa época do ano, estamos com os reservatórios se enchendo. É o período em que desligamos as térmicas.

Essas usinas são abastecidas com o gás natural que o Brasil importa da Bolívia e competem pelo combustível com as indústrias, que correm o risco de ficar sem a matriz energética. Isso porque existem, nos contratos entre as distribuidoras e as indústrias, cláusulas de flexibilidade e de interrupção dos contratos em cenários de emergência.

Dinheiro

A decisão de ligar as térmicas também esbarra num componente financeiro, já que aumenta o encargo de segurança do sistema. Isso se reflete no custo da energia elétrica, justamente no momento em que o governo debate com as distribuidoras de energia elétrica por uma queda no preço das tarifas.

O governo promete reduzir a conta de luz do consumidor residencial em 16,7%.

Outro lado

A reportagem do R7 entrou em contato com o MME, que disse que somente o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) poderia comentar o estudo. A assessoria do ONS, por sua vez, admitiu que a capacidade dos reservatórios no Sudeste e Centro-Oeste está baixa, mas negou que esteja em níveis críticos.

O órgão diz que o nível das represas supera os 35%, na média, e que as termelétricas estão trabalhando a todo vapor para dar conta da demanda por energia.

O ONS disse ainda que não vai divulgar nenhuma nota oficial sobre o assunto e que todos os dados técnicos sobre eletricidade no Brasil estão disponíveis em seu site — http://www.ons.org.br.

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