Brasil corre risco de novo apagão elétrico, alerta federação da indústria do RJ
Níveis dos reservatórios são os mais baixos em dez anos
Brasil|Filippo Cecilio, do R7
Estudos realizados pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) apontam que o nível dos reservatórios do País está próximo do limite e que o Brasil corre o risco de enfrentar um racionamento de energia elétrica já nos primeiros dias de 2013.
De acordo com o gerente de competitividade industrial e investimentos da Firjan, Cristiano Prado, as causas do risco são a falta de chuvas e a má gestão do setor energético nacional, conjunção que fez o País chegar a uma situação limite.
Na última quarta-feira (19), a federação enviou um comunicado a seus associados apontando o “agravamento das condições de oferta da energia elétrica e de gás no País”.
Prado diz que a água contida nos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste representa somente 29,8% da capacidade total de armazenamento. É o nível mais baixo nos últimos dez anos. No mesmo período no ano passado, o nível estava em 62%.
— Estamos na antessala do racionamento e esse é um risco que não queremos correr. A principal caixa d’água do Brasil, hoje, está com menos de 30% da sua capacidade. Esses reservatórios correspondem a 60% do total do País. Na nossa avaliação, isso é uma situação de risco.
A Firjan informa que já pediu esclarecimentos ao MME (Ministério de Minas e Energia) a respeito das providências que estão sendo tomadas para evitar o desabastecimento, mas que até agora não obteve nenhuma resposta.
Para evitar que a redução dos reservatórios atinja níveis ainda mais críticos, todas as termelétricas disponíveis já estão em operação. Para o gerente da Firjan, esse cenário aumenta o risco de racionamento, já que não dá margem para um aumento da geração térmica.
— As térmicas estão rodando há muito tempo na sua capacidade máxima, num momento em que o Brasil não estava preparado para rodar tantas térmicas, porque é uma época de muita chuva. Normalmente, nessa época do ano, estamos com os reservatórios se enchendo. É o período em que desligamos as térmicas.
Essas usinas são abastecidas com o gás natural que o Brasil importa da Bolívia e competem pelo combustível com as indústrias, que correm o risco de ficar sem a matriz energética. Isso porque existem, nos contratos entre as distribuidoras e as indústrias, cláusulas de flexibilidade e de interrupção dos contratos em cenários de emergência.
Dinheiro
A decisão de ligar as térmicas também esbarra num componente financeiro, já que aumenta o encargo de segurança do sistema. Isso se reflete no custo da energia elétrica, justamente no momento em que o governo debate com as distribuidoras de energia elétrica por uma queda no preço das tarifas.
O governo promete reduzir a conta de luz do consumidor residencial em 16,7%.
Outro lado
A reportagem do R7 entrou em contato com o MME, que disse que somente o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) poderia comentar o estudo. A assessoria do ONS, por sua vez, admitiu que a capacidade dos reservatórios no Sudeste e Centro-Oeste está baixa, mas negou que esteja em níveis críticos.
O órgão diz que o nível das represas supera os 35%, na média, e que as termelétricas estão trabalhando a todo vapor para dar conta da demanda por energia.
O ONS disse ainda que não vai divulgar nenhuma nota oficial sobre o assunto e que todos os dados técnicos sobre eletricidade no Brasil estão disponíveis em seu site — http://www.ons.org.br.















