Campanha de Dilma não recebeu doação legal com dinheiro de propina, diz ministro
Ex-executivo da Andrade Gutierrez afirmou em delação que dinheiro doado vinha de propina
Brasil|Chris Lemos, colunista do R7

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, rebateu na tarde desta quinta-feira (7) a suposta delação premiada do ex-presidente da Andrade Gutierrez, que afirmou ter feito doações legais para a campanha da presidente Dilma Rousseff utilizando verbas obtidas por meio de propina.
“O pagamento foi feito por transferência bancária para as contas de campanha, como certamente [a empresa] fez para outras campanhas. Portanto gostaria que alguém tivesse a capacidade de analisar o dinheiro que está na conta corrente de uma empresa, se alguém identifica que o valor X é legal e o valor Y é ilegal, e que eu vou repassar pra campanha A o valor legal e pra campanha B o valor ilegal. Obviamente é uma peça de ficção”, disse o ministro, demonstrando irritação.
A Andrade Gutierrez, segunda maior empreiteira do País, teria usado recursos provenientes de propina para fazer doações registradas legalmente para a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada hoje.
De acordo com o jornal, “a informação consta da delação premiada do ex-presidente da empresa Otávio Marques de Azevedo e foi sistematizada por ele em uma planilha apresentada à PGR [Procuradoria-Geral da República]”. O ex-executivo Flávio Barra também teria ajudado a explicar o esquema.
O acordo de delação ainda não foi homologado pela Justiça, o que é necessário para garantir sua validade em eventuais processos.
Tesoureiro da campanha petista em 2014, Edinho afirmou que a "legislação é muito clara: se você faz doação legal, se é contabilizada e declarada ao TSE, ela é legal e ocorreu dentro das normas e das regras".
Questionado se iria deixar o cargo por causa das acusações, ele respondeu que tem "toda a confiança da presidenta Dilma, porque ela me conhece e conhece a forma como eu conduzi a arrecadação e as despesas de sua campanha".
— Tenho plena consciência da lisura dos meus atos, e não tem nenhum problema que todos os meus atos sejam investigados, porque nada vão encontrar, porque agi de forma correta, legal e ética.
O atual chefe de comunicação do governo questionou o vazamento do documento, afirmando que "deveria estar sob sigilio" porque se trata de um "instrumento de investigação".
— Nos estranha muito que uma delação seletiva seja vazada num momento como esse, onde a Câmara dos Deputados está as vésperas de uma decisão importante [a respeito] de um pedido [de impeachment] que, no nosso entender, se caracteriza como um golpe, porque não tem nenhum lastro na legalidade.
Ele fez ainda um apelo "ao Ministério Público e ao Poder Judiciário" contra os "vazamentos seletivos".
— Quero fazer um apelo aos integrantes do MP e do poder Judiciário, para que nós passamos impedir que um processo de investigação, que pode e deve fortalecer as instituições brasileiras, se torne, por meio de vazamentos seletivos, instrumento da luta político-partidária, principalmente numa conjuntura onde estamos num processo de definição de um pedido de impeachment.















