Dilma cobra eficiência e pede ajuda de ministros para combater “boatos” sobre cortes
Em primeira reunião ministerial, presidente avisa que ajustes são necessários para País crescer
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a primeira reunião ministerial de seu segundo mandato, nesta terça-feira (27), para cobrar posicionamento combativo dos ministros frente ao que ela chamou de “boatos” sobre os cortes anunciados pelo governo.
De acordo com Dilma, os chefes das pastas precisam ser claros e precisos ao explicar à população que todas as medidas que estão sendo adotadas são necessárias para colocar o País no caminho do crescimento.
— Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação, sempre e permanentemente. Nós não podemos permitir que as falsas versões se criem e se alastrem. Reajam aos boatos, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública. Sejam claros, sejam precisos, se façam entender. Não podemos deixar dúvidas.
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Como exemplo, a presidente fez questão de negar que seu governo esteja acabando com direitos trabalhistas. Segundo ela, se os ministros ouvirem esse tipo de comentário sobre os ajustes feitos na concessão de benefícios como o abono salarial e pensão por morte, precisam ser enfáticos ao esclarecer que a medida visa a somente aperfeiçoar os direitos.
— Vamos adequar o seguro-desemprego, o abono salarial, a pensão por morte e o auxílio-doença às novas condições socioeconômicas do País. [...] Os direitos trabalhistas são intocáveis e não será o nosso governo, o governo dos trabalhadores, que vai acabar com eles.
Eficiência
A presidente também usou seu discurso de abertura da reunião ministerial para justificar o corte feito nas despesas dos ministérios e para cobrar eficiência dos ministros, avisando que eles terão que fazer mais com menos dinheiro.
Para Dilma, os ajustes fazem parte de compromissos assumido pelo governo de aumentar emprego e renda dos trabalhadores. Citando dificuldades econômicas externas, como a queda no preço do petróleo e o baixo índice de crescimento de grandes potências, a presidente afirmou que o governo federal fez o que podia para impedir que esses problemas atingissem diretamente a população brasileira, mas que agora se atingiu o limite.
— A razão de ser da gestão responsável e consistente da política econômica é o crescimento, é dar meio para execução de políticas que melhorem o bem estar da população. Lembro a cada um dos ministros que as restrições orçamentárias exigirão mais eficiência de gastos, tarefa, que estou certa, todos terão competência para fazer.
Dilma também mandou um recado para seus eleitores, afirmando que seu governo não se distanciou das promessas de campanha e que todos os ajustes fiscais, com aumento de impostos e taxas, são o primeiro passo para garantir o crescimento econômico, a distribuição de riquezas e a ampliação dos programas sociais.
— As mudanças que o País espera e precisa para os próximos quatro anos dependem muito da estabilidade da economia. Precisamos garantir a solidez dos nossos indicadores econômicos. [...] O Brasil espera muito de nós e conto com vocês [ministros] para que nós honremos todas essas expectativas.
Todos os 39 ministros de Dilma estão reunidos na Granja do Torto, em Brasília, desde as 16h. O vice-presidente, Michel Temer, também participa do encontro. A expectativa é de que a reunião dure pelo menos quatro horas, e o ministro Joaquim Levy (Fazenda) e a ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social) devem fazer exposições para apresentar aos colegas a proposta de cortar custos e equilibrar as contas sem prejudicar os programas sociais.















