“Dilma não quer governar”, diz Temer sobre proposta de novas eleições
Em entrevista, Temer admitiu que não montou ministério de “notáveis” para ter apoio do Congresso
Brasil|Do R7
O presidente interino Michel Temer afirmou nesta terça-feira (21) que a proposta da presidente afastada Dilma Rousseff de convocar novas eleições, caso ela retome o poder, indica que ela “não quer governar” o Brasil.
As declarações do presidente em exercício foram feitas ao jornalista Roberto D’ávila, da Globo News, em entrevista exibida na noite de hoje.
— Se vai voltar para depois convocar eleições é porque não quer governar.
Temer admitiu que em vez de montar um “ministério de notáveis”, como havia prometido, decidiu escolher seus ministros em troca da montagem de uma base de apoio na Câmara e no Senado.
“O que é um notável?”, questionou. Ele também não demonstrou arrependimento por ter feito um ministério sem mulheres e afrodescendentes.
— Exercitaria novamente a mesma fórmula, eu tive setes dias para organizar o governo. Só quando me dei conta que do que significava a admissibilidade (do processo de impeachment) no Senado é que comecei a conversar sobre o governo. Antes, tinha pruridos. O desemprego é o problema principal do Brasil. Montamos uma equipe econômica e fizemos uma composição política para ter apoio no Congresso.
Temer disse que manterá a secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes. A secretária é investigada na Justiça Federal por suspeita de ter participado de desvio de R$ 4 milhões do Ministério do Turismo para capacitação de profissionais do Amapá, quando era deputada pelo PMDB do Estado. "Vou mantê-la até que eventualmente haja condenação", disse. (Luciana Nunes Leal)
Segundo o presidente, “é dificílimo” governar com uma base de apoio formada por 20 partidos, mas ressaltou que “você precisa compor uma base”.
— As concessões [aos aliados] derivam dessa base, mas você não pode conceder para quem vai fazer falcatruas, embora você precise de uma base parlamentar.
Temer reconheceu que a interinidade cria "instabilidade", mas ressalvou que não age como se fosse deixar o governo em breve.
— Governar interinamente é mais complicado por gerar uma certa instabilidade. Não me comporto como interino mas como definitivo. Não se governa em interesse de A ou B.
Ao comentar o governo Dilma, Temer disse que "houve certa falta de diálogo com o Congresso". O presidente avaliou que os problemas na economia foram decisivos para o desgaste da petista.
— A questão econômica prejudicou o governo e a governabilidade.
Impostos e gastos
O presidente em exercício afirmou que não pensa em aumentar imposto "ainda", ao mencionar possíveis futuras medidas de seu governo.
Ele defendeu ainda o aumento salarial concedido ao funcionalismo aprovado pela Câmara.
— Os servidores públicos estavam sem aumento real há bastante tempo, esses acordos tinham sido fechados no governo da senhora presidente. O acordo é útil para o governo.
O presidente afirmou ainda que o corte de gastos tem objeto de "incentivar a economia.
— Queremos produzir emprego.















