Dilma toma posse nesta quinta com desafio de retomar crescimento econômico
Baixo crescimento do PIB e alta da inflação devem ser combatidos, alertam especialistas
Brasil|Bruno Lima, do R7, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff tomará posse nesta quinta-feira (1º), em cerimônia marcada para 14h30, com o desafio de retomar o crescimento econômico do País. Alvo de críticas durante a campanha eleitoral, a política econômica adotada pela petista durante os quatro anos do primeiro mandato resultou em baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e alta da inflação.
O Brasil deve encerrar o ano com crescimento próximo de zero e com a inflação próxima, ou superior, ao teto da meta estabelecida pelo governo. Em janeiro, as estimativas das instituições financeiras eram de um crescimento de 2% da economia brasileira em 2014 e uma inflação 5,97%.
No entanto, em novembro o Ministério da Fazenda reduziu para 0,5% a previsão oficial do crescimento do PIB em 2014 e elevou para 6,45% a projeção de inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Durante o ano, o crescimento do País foi tão baixo que chegamos a enfrentar recessão técnica.
A meta de inflação do governo é de 4,5% ao ano com dois pontos de tolerância. Dessa forma, o chamado 'teto' da meta é de 6,5% ao ano pelo IPCA.
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O economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Jandir Feitosa avalia que 2015 será um ano complicado para a economia. O especialista alerta que a alta da inflação deve forçar o Banco Central a aumentar os juros em 2015.
— O Banco Central deve elevar um pouco mais os juros para a inflação cair. A tendência é subir ainda mais. O mercado trabalha com um aumento de entre 2,5 e 3 pontos porcentuais.
A taxa básica de juros da economia (Selic) está em 11,75% ao ano e a expectativa, portanto, é que chegue até 14,75%.
Como tentativa de reverter o quadro de forma mais rápida e acalmar os mercados, a presidente Dilma Rousseff antecipou a sua reforma ministerial e anunciou os nomes que vão compor sua equipe econômica um mês após ser reeleita, em novembro. A nomeação de Joaquim Levy, para a Fazenda, sinaliza que Dilma deve abrir mão de algumas ingerências na pasta. Isso porque Levy tem um perfil mais independente e deve agir com mais autonomia do que o atual ministro Guido Mantega.
Completam a equipe Nelson Barbosa, para o Planejamento, e Alexandre Tombini, que permanecerá à frente do Banco Central. O professor da FGV analisa que as escolhas foram adequadas, mas que a maior dificuldade será no campo político.
— A avaliação, a leitura que ela fez com relação aos ajustes econômicos está correta. Eu acho que essa equipe tem condições de fazer os ajustes que precisam ser feitos. O problema maior é a parte política e não técnica. Como ela vai comandar isso no Congresso?
A baixa arrecadação também afetou as contas do governo neste ano. A expectativa da Receita Federal era que a arrecadação crescesse entre 3% e 3,5% em 2014 acima da inflação. No entanto, de janeiro a novembro as receitas estavam 0,99% abaixo do registrado no mesmo período em 2013. Agora a expectativa é de que a arrecadação deve encerrar o ano com a primeira queda real desde 2009.
O professor de economia da UnB (Universidade de Brasília) Carlos Alberto Ramos explica que, além do reajuste fiscal o governo também deve tomar medidas para estimular a atividade econômica no País.
— A arrecadação necessariamente vai ter que aumentar. Isso já deve acontecer no primeiro semestre com a retirada de alguns subsídios do governo, como o caso IPI. Teoricamente vamos alcançar um superávit [economia que o governo faz para pagar juros da dívida] de 1,2%, conforme previsão do Ministério da Fazenda, e isso será feito através de dois instrumentos: a redução de gastos e o aumento da receita.
Outra preocupação é a taxa de desemprego. Apesar de o emprego apresentar desempenho positivo nesse ano que passou, Ramos analisa que o cenário pode ser diferente em 2015. Para ele, o número de postos de trabalho deve acompanhar o ritmo da economia de uma forma geral, o que pode diminuir a taxa de empregos fixos.
— As oportunidades de emprego vão cair. Já a taxa de desemprego vai depender se as pessoas vão procurar ou não emprego. Atualmente a taxa de desemprego está baixa porque as pessoas estão participando pouco do mercado.
A taxa de desemprego de novembro ficou em 4,8% nas principais regiões metropolitanas do País, praticamente a mesma registrada no mesmo mês do ano passado quando ficou em 4,6%.















