Em primeira entrevista após ser afastada, Dilma afirma que Cunha “age nas trevas”
Presidente afastada também disse que pedaladas não são proibidas pela lei
Brasil|Do R7

A presidente Dilma Rousseff — afastada temporariamente do cargo — voltou a afirmar em entrevista ao site The Intercept que é vítima de um golpe no Brasil, cujo líder é o deputado e presidente da Câmara afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ela criticou também o conservadorismo do governo interino de Michel Temer.
— Nós começamos a ter atrito desde o primeiro dia do meu governo, do meu segundo governo. Ao longo do meu primeiro governo, nós tivemos atritos sistemáticos com ele. Então, essa é uma questão que é muito importante de ser entendida, porque ele age nas trevas. Ele é muito bom de agir nas trevas.
Foi a primeira entrevista de Dilma após seu afastamento. A gravação aconteceu na última terça-feira (17) no Palácio do Alvorada e foi realizada pelo jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept — ele ficou mundialmente conhecido após revelar um ilegal e abusivo esquema de espionagem montado pelo governo norte-americano.
Segundo o jornalista, a presidente afastada não se comportou de forma “subjugada, conformada ou derrotada”.
— Dilma, presa e torturada por três anos pela ditadura militar que governou o país com o apoio dos EUA por 21 anos, está mais firme, combativa e determinada do que nunca.
A presidente afastada declarou que as pedaladas fiscais não são proibidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
— Chama-se de pedalada um processo chamado Crédito Suplementar. Esse Crédito Suplementar está previsto na Lei Orçamentária, ele é autorizado pela Lei Orçamentária. E em que ele consiste? Consiste no seguinte: se você tiver um excesso de arrecadação específico numa ação de governo, você tem direito de utilizar esse excesso para ampliação deste governo.
A presidente afirmou ainda que o STF não irá julgar seu processo de impeachment, mas que pode levar a questão ao Supremo mais adiante.
Ela ressaltou também que, como o presidente da Corte, Ricardo Lewandovski, irá presidir o processo de impeachment a partir de agora, ela espera “um rito mais consistente”.
PMDB
Dilma também concedeu entrevista esta semana, na quarta-feira, ao serviço espanhol do Russia Today.
Ela disse que pretende viajar pelo Brasil para denunciar o "golpe" do qual teria sido vítima.
— Pretendo visitar várias cidades, falar com muitas pessoas. Isso permitirá para o Brasil e para o mundo entender o que está acontecendo no País.
A presidente afastada procurou explorar as contradições que marcaram os primeiros dias do governo Temer como a declaração do ministro da Saúde, Ricardo Barros, de que o tamanho do Sistema Único de Saúde (SUS) precisa ser revisto. O ministro recuou da declaração no dia seguinte.
— Outra característica desse governo é que ele adota uma medida hoje e muda amanhã. Como ele não foi eleito, não discutiu este programa em uma eleição, não conta com o respaldo da população. Por isso este governo só fala de absurdos como acabar com o SUS. Ele cria este tipo de conflito e, como a sociedade reage, no dia depois de falar eles mudam de postura tentando encobrir que a tendência deles é aplicar o programa mais neoliberal possível.
Dilma também criticou as mudanças na política externa anunciadas pelo novo chanceler, José Serra. Segundo ela, Serra não tem compromisso com o fortalecimento dos laços com países da América Latina, África e os Brics (Brasil, África do Sul, Russia, Índia e China).
Indagada se há interferência estrangeira no impeachment Dilma afirmou que "este é um processo brasileiro. Não há como atribuir a qualquer interferência externa".














