Em reunião com petistas, Renan diz que não vai acelerar rito do impeachment
Senador Romero Jucá diz que demora do Senado poderá causar incertezas na economia
Brasil|Do R7

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reafirmou na noite desta quarta-feira (13) a senadores do PT e de partidos aliados à presidente Dilma Rousseff que não vai tomar qualquer atitude para acelerar o rito do impeachment na Casa — caso o pedido de abertura de processo contra a petista seja aprovado no domingo (17) pela Câmara.
Em encontro na residência oficial, Renan disse que vai cumprir os prazos previstos no regimento interno e fez questão de exaltar que vai cumprir o papel "institucional" de presidente do Senado.
Renan tem sido pressionado pela oposição e por aliados do vice-presidente Michel Temer a acelerar a votação, pelo plenário do Senado, do afastamento da presidente. Pelo calendário proposto pela assessoria técnica da Casa, essa decisão só seria tomada no dia 11 de maio, isto é, 24 dias após a manifestação da Câmara.
Aliados de Temer, como o presidente em exercício do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), dizem que a demora do Senado provocará incertezas para a economia. A avaliação é que, nesse período, Temer ainda não terá poderes para governar, como fazer nomeações para a equipe econômica e apresentar propostas. Jucá defende que essa decisão ocorra em, no máximo, 15 dias.
Na conversa com petistas e aliados de Dilma, Renan destacou que não vai criar qualquer mecanismo para abreviar prazos regimentais e antecipar julgamentos. A fala do presidente do Senado indica um contraponto ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que numa atitude incomum para o padrão de trabalho dos deputados tem atuado para acelerar o processo.
O peemedebista também não adiantou aos presentes qual o rito será adotado pelo Senado para apreciação do processo. Há uma série de dúvidas a serem resolvidas, como prazos regimentais e a forma da escolha dos integrantes da comissão especial — se por partidos ou blocos partidários.
Participaram do encontro, entre outros, os líderes do governo e do PT no Senado, respectivamente, Humberto Costa (PE) e Paulo Rocha (PA), o primeiro vice-presidente da Casa, Jorge Viana (PT-AC), e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
A previsão é que, a partir da segunda-feira (18), após a decisão da Câmara, Renan convoque os líderes partidários para dirimir as dúvidas. Uma reunião de líderes deve ocorrer na terça-feira (19).
Jucá cobra agilidade no Senado
Aliado do vice-presidente Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) voltou a defender hoje agilidade de um eventual rito do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado.
Jucá teme que a demora na análise do processo poderá "dar tempo" para o governo agir, além de provocar incertezas na economia.
— É muito importante que a decisão do Senado possa ser feita rapidamente. Não dá para termos uma falta de legitimidade de uma presidente da República que em tese já está afastada pela Câmara faltando apenas o posicionamento do Senado. Não podemos ter um hiato muito grande nessa falta de comando ou nessa ausência de posicionamento mais legítimo de uma presidente.
Segundo o cronograma do Senado, a votação do parecer do colegiado deverá ocorrer dia 11 de maio. Para Jucá, "o calendário é um balizamento da possibilidade de votação, é o prazo máximo".
— Acho que, sem a pressa, cumprindo o regimento e os prazos mínimos, é muito importante que o Senado, que é a Casa da Federação, possa se posicionar no devido prazo, entendendo a urgência da necessidade desse posicionamento.















