Ex-diretor da Siemens cita suposto envolvimento de políticos em cartel de trens em SP
Everton Rheinheimer diz ter provas do envolvimento de políticos do PSDB, PMDB, DEM e PPS
Brasil|Do R7

O ex-diretor da divisão de Transportes da empresa alemã Siemens Everton Rheinheimer disse em relatório entregue ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no dia 17 de abril ter documentos que provam um "forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.
O ex-executivo disse ainda que políticos de alguns partidos teriam recebido propina para participar do cartel de trens em São Paulo entre 1998 e 2008. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo desta quinta-feira (21).
Rheinheimer está entre os participantes do acordo de leniência em que a empresa alemã revela ações do cartel em troca da redução de eventuais penalidades.
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Entre os políticos supostamente envolvidos estão o deputado licenciado Edson Aparecido (PSDB), hoje secretário da Casa Civil. O deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), aliado dos tucanos, também é citado como beneficiário do esquema. Os demais nomes citados no envolvimento são do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), dos secretários estaduais José Aníbal (Energia), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitano) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico).
De acordo com a reportagem, o ex-diretor disse que teve a "oportunidade de presenciar o estreito relacionamento do diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira" com Aluysio, Jurandir e Garcia. Sobre Aníbal, o contato era direto com o assessor, vice-prefeito de Mairiporã, Silvio Ranciaro. Com Aparecido e Jardim, Rheinheimer diz que os nomes foram mencionados pelo diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, porque recebiam parte da comissão paga pelas empresas de sistemas Alstom, Bombardier, Siemens, CAF, MGE, T'Trans, Temoinsa e Tejofran à Procint.
Empresa fornecedora
Outros dois nomes foram apontados pelo ex-diretor. O vice-governador do DF, Tadeu Filippelli (PMDB) e o ex-governador do DF José Roberto Arruda foram descritos como "políticos envolvidos com a MGE Transportes (Caterpillar)". De acordo com o Ministério Público e a Polícia Federal como "outra rota da propina", já que a empresa era fornececedora da Siemens e outras campanhias do cartel.
No documento, Rheinheimer ele se diz disposto a contar o que sabe, mas sugere receber em contrapartida sua nomeação para um alto cargo na mineradora Vale.
Outro lado
Em nota, o secretário José Aníbal diz que as denúncias são feitas com base na "leviandade de um sujeito que, confessadamente, barganhou suas acusações em troca de proteção e de emprego junto ao Partido dos Trabalhadores (PT)".
Ele diz que irá processar Rheinheimer por calúnia e difamação e também por danos morais. "Quero vê-lo onde ele estará cedo ou tarde: na cadeia".
Aníbal nega que tenha mantido qualquer contato com o ex-diretor da Siemens. "O CADE, mesmo advertido pela Comissão de Ética da Presidência da República, continua sendo vergonhosamente usado como instrumento da delinquência política do PT. É lamentável que o governo Dilma Rousseff permita que um órgão do Estado promova este emporcalhamento da vida pública", diz a nota.














