Exército deve desculpas à nação, diz coronel acusado de tortura
Em depoimento na Comissão da Verdade, coronel Homero Machado admitiu que houve excessos
Brasil|Do R7, com Agência Alesc

O coronel reformado Homero Cesar Machado, acusado pelo morte ou desaparecimento de seis pessoas e pela tortura de outras 20 durante a Ditadura Militar, afirmou que o Exército é que deve pedir desculpas pelas torturas cometidas no período. A declaração foi dada durante depoimento à CNV (Comissão Nacional da Verdade), em São Paulo nesta segunda-feira (1).
— Vocês deveriam pedir às Forças Armadas. Nós éramos agentes e delegados da instituição. Ninguém bradava: 'vamos perseguir os comunistas'.
A resposta foi dada quando o coronel foi questionado pelo fato de até hoje não haver um pedido de desculpas formal dos agentes públicos que praticaram crimes durante a Ditadura Militar, entre 1964 e 1985.
Machado admitiu que houve excessos por parte do Exército e acusou os presos de “terrorismo”. Ele criticou o trabalho da CNV e o tratamento dado às pessoas que foram vítimas de tortura por parte de agentes do Estado.
— Isso aqui é um massacre, não uma comissão. Hoje os terroristas são chamados de ex-guerrilheiros. Mas uma parte da sociedade é contra isso também.
Após 40 minutos de depoimento, o ex-oficial informou que não tinha mais nada a falar e declarou ter a consciência limpa. Homero Machado, ao lado dos colegas militares Maurício Lopes Lima, Innocêncio Fabricio de Mattos Beltrão e do coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo João Thomaz, foi acusado pelo MPF-SP (Ministério Público Federal de São Paulo) pela morte ou desaparecimento forçado de seis pessoas e pela tortura de outras 20 durante a ditadura. Lopes Lima foi acusado pela presidente Dilma Rousseff, em 1970, como sendo um dos seus torturadores.
Frente a frente
Durante o depoimento, Machado ficou frente a frente com Derlei Catarina De Luca, presa em 1969 por engano em São Paulo. Derlei foi a única ex-presa política declaradamente reconhecida pelo ex-coronel. Foi a primeira vez, depois de 44 anos que os dois se encontraram.
Derlei contou que foi torturada pela equipe comanda por Machado, que na época era capitão. Ela disse não sentir raiva do ex-coronel e criticou sua postura durante o depoimento
— Ele continua defendendo o que fez, provavelmente se sente constrangido. Mas todo mundo tem seu papel na vida.
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