“Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula”, diz Duque em CPI da Petrobras
Ex-diretor de serviços da estatal rompe silêncio e se irrita ao ser confundido com Pedro Barusco
Brasil|Bruno Lima, do R7, em Brasília

Em um raro momento em que decidiu falar durante a sessão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras desta quinta-feira (19), o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque rompeu o silêncio a que tinha recorrido como direito constitucional para defender a mulher.
Ao ser questionado pelo deputado Izalci (PSDB-DF) sobre uma suposta intercedência da mulher dele junto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que fosse solto, Duque disse que ela nunca esteve com Lula ou qualquer emissário do ex-presidente.
— Eu vou ser direto com o senhor: minha esposa nunca esteve com o presidente Lula ou com o senhor Okamoto, não conhece e nunca conheceu. Responde?
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Duque justificou a fala explicando que está se sentindo ameaçado por alguns deputados que defendem a convocação de sua mulher para depor ao colegiado.
— Eu estou respondendo ao senhor a essa pergunta, contrariando o meu advogado, porque eu estou vendo o deputado Onyx, atrás do senhor, falando sem parar que tem que convocar a minha esposa aqui para esclarecer isso.
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) rebateu a declaração afirmando que a CPI tem o poder de convocar quem quer que seja, se julgar necessário.
Duque também negou conhecer o doleiro Alberto Youssef após o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) pedir para que ele confirmasse as informações apresentadas pelo doleiro sobre a atuação de empreiteiras junto a partidos políticos.
“Não me confunda com Pedro Barusco”
Em outro momento, Duque reagiu com veemência ao ser confundido com o ex-gerente da estatal Pedro Barusco. O deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) criticava a postura de Duque em permanecer calado, quando o chamou de Pedro Barusco.
— Nós estamos em uma investigação que investiga passar a limpo um dos maiores escândalos de corrupção do País. Então, senhor Pedro Barusco, essas são as minhas considerações.
Visivelmente alterado, Duque começou a balançar o dedo indicativo fazendo sinal negativo. Sem conseguir ligar o microfone, Duque começou a gritar: “Não me confunda com Pedro Barusco”.
Antes de caso ganhar repercussão nacional, Barusco era aliado de Duque no setor de Serviços da Petrobras. Durante depoimento à CPI na última quinta-feira (12), Barusco afirmou que Duque seria um dos beneficiados no esquema de corrupção da Petrobras, recebendo propina de empreiteiras contratadas pela estatal.
O dinheiro seria dividido entre Duque e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Barusco também afirmou que a verba desviada entrava nos cofres do partido por meio de doações legais para campanhas eleitorais.















