Mulheres sofrem com desigualdade no financiamento de campanha

Levantamento inédito do R7 mostra que elas recebem um terço da média dos homens

Alvaro Magalhães, do R7

Congresso Nacional: mulheres são minoria Gustavo Lima/01.07.2014/Agência Câmara

A desigualdade no financiamento de campanha não ocorre apenas na comparação entre negros e brancos, mas também entre mulheres e homens.

Levantamento inédito feito pelo R7, com base em números do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostrou que candidatos negros receberam, em média, cerca de um terço da média da arrecadação dos brancos nas Eleições 2014.

Entre mulheres e homens a diferença foi semelhante nas brigas por uma cadeira na Câmara e nas 27 assembleias. Apenas no Senado a disputa não foi tão desigual (confira abaixo quadro detalhado).

Na corrida pela Câmara, os 4.143 candidatos homens arrecadaram, em média, R$ 252.266,74, enquanto as 1.723 candidatas mulheres angariaram, também em média, R$ 65.461,29.

Considerando apenas o financiamento dos eleitos, a diferença cai: os 462 homens eleitos arrecadaram, em média,  R$ 1.453.683,14, e as 51 mulheres eleitas, R$ 1.292.748,68. A menor desigualdade entre os eleitos indica alta relevância da arrecadação para o sucesso nas urnas.

Já na busca por uma das 1.059 vagas nas 27 assembleias estaduais, os 10.814 candidatos homens receberam, em média, R$ 99.719,14, enquanto as 4.443 mulheres, arrecadaram, também em média, R$ 36.750,67.

Com menos verba, apesar de corresponderem a 29% das candidaturas tanto para a Câmara como para as vagas estaduais, as mulheres conquistaram apenas 10% e 11% dos cargos de deputado federal e estadual, respectivamente.

Laranjas

De acordo com a lei eleitoral, cada partido deve reservar ao menos 30% das vagas a que tem direito ao sexo com menor representatividade — que, historicamente, é sempre o sexo feminino.

As legendas podem registrar um número de candidatos equivalente a 150% do número de lugares a preencher. Mas o partido que não consegue um número suficiente de mulheres em seu quadro tem de deixar vagas em aberto.

O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, afirma que, apesar da boa intenção, a legislação acabou por intensificar um fenômeno eleitoral: a candidata de voto zero.

— Parte disso se explica pela presença de laranjas na disputa eleitoral. Um candidato chama, por exemplo, a esposa para concorrer. Ela se licencia do trabalho, fica três meses afastada, mas não trabalha na campanha dela. Trabalha para o companheiro (confira entrevista com José Eustáquio Alves).

Além das candidaturas-laranjas, Alves diz que a fraca participação das mulheres em órgãos do executivo também mina a capacidade delas de angariar recurso de empresas, Rosângela Reis (PROS), única deputada estadual mineira a se reeleger em 2014, também cita a dificuldade de buscar recursos em empresas privadas.

— Há uma relação de confiança entre empresas e candidatos que ainda dificulta a abertura de espaço para as mulheres (confira relato da deputada Rosângela Reis na segunda parte da reportagem sobre o deputado Sargento Isidório, da Bahia).

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