'Não vim para privatizar a Petrobras', diz presidente
Pedro Parente diz ter missão de "resgatar" empresa que foi vítima de uma "quadrilha organizada"
Brasil|Do R7

Apontado por centrais sindicais como "ultraliberal", o novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou na última sexta-feira (3) que a privatização da estatal "não está madura" para ser discutida com a sociedade.
Segundo ele, a privatização não está em pauta no governo.
Parente descartou socorro do governo a estatal, defendeu "parcerias" com investidores para projetos estratégicos e voltou a pedir o fim da participação obrigatória da estatal em áreas de exploração do pré-sal.
— Não vim para cuidar de privatização da Petrobras. Não vou perder tempo com essa questão, porque não está madura para uma discussão na sociedade.
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A declaração do executivo foi dada em entrevista à Rádio Gaúcha ontem.
— Isso é uma decisão de acionista controlador. Eu não vejo essa discussão acontecendo no governo e não foi parte da conversa do presidente [Michel] Temer comigo.
Parente disse que sua missão é "resgatar" a companhia que, segundo ele, foi vítima de uma "quadrilha organizada".
— O principal acionista não é o governo federal, é a sociedade brasileira. Nós somos proprietários.
Segundo o executivo, sua atuação terá foco na redução do endividamento. Parente voltou a descartar uma capitalização na empresa pelo governo.
— Se o problema foi gerado dentro da companhia, temos que encontrar os meios para resolvê-lo dentro da própria companhia.
Ele disse priorizar parcerias com investidores à venda completa de ativos.
— É onde pensamos em ir neste momento.
Ele não detalhou o modelo estudado para subsidiárias já listadas para venda, como BR Distribuidora e Transpetro.
Ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, o novo presidente defende retirar da estatal a obrigação de atuar em todos os consórcios do pré-sal, além de ser a operadora única das áreas de exploração.
O projeto que altera a lei do setor, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), aguarda votação na Câmara, após ter sido aprovado no Senado, em fevereiro. Parente acredita que as mudanças podem "levar ao potencial máximo" a exploração do pré-sal.
Críticas
O discurso de posse e as posições do executivo foram criticados por sindicatos de trabalhadores e por pesquisadores. Para o professor Luiz Pinguelli, diretor da Coppe/UFRJ, a Petrobras deve manter o "protagonismo" no pré-sal e a política de conteúdo local para diversificar a indústria, também criticada pelo novo executivo.
— O problema não é aumentar a produção e se tornar exportadora. Ela vive batendo recordes. A questão é diminuir a necessidade de importação de derivados. A empresa só faz sentido enquadrada em uma política de Estado.
Para Pinguelli, o novo presidente não é ligado ao setor e se equivoca nas posições anunciadas, que diz "discordar radicalmente".
— Ele volta à política neoliberal do governo FHC, tem um viés nitidamente ideológico. Se é para destruir a Petrobras, vamos brigar contra ele.
Outras entidades de classe criticaram as propostas de Pedro Parente para a empresa. A Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras), o acusa de "promover o desmonte da empresa, inclusive abdicando do pré-sal".
— As posições de Parente atentam contra a integridade da Petrobras.
Também a FUP (Federação Única dos Petroleiros), maior entidade da categoria, criticou "a agenda de privatização" do executivo.
"O Parente explicitou o que pensa o PSDB sobre o pré-sal, que é entregá-lo a outras empresas. Somos o único país que tem petróleo e prefere vender mesmo com as cotações em baixa", afirmou o sindicalista José Rangel.















