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'Político 2.0', Paulo Paim diz que é preciso ouvir eleitores nas redes sociais

Senador do PT recebe cerca de 5.000 mensagens de eleitores por mês. E diz responder a todas

Brasil|Kamilla Dourado, do R7, em Brasília

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"A população quer escrever seus gritos", diz senador Paulo Paim
"A população quer escrever seus gritos", diz senador Paulo Paim ANTONIO CRUZ/ABR

O senador Paulo Paim (PT-RS) está entre os senadores que melhor se relacionam com o eleitor na internet, segundo a pesquisa Político 2.0. O levantamento, que deu nota máxima ao petista, avaliou desde a dedicação aos perfis em redes sociais até a divulgação de gastos.

Paim recebe, por mês, cerca de 5.000 mensagens — e diz que responde a todas elas. Para o senador, é necessário prestar atenção ao que dizem os eleitores nas redes sociais, mas os políticos ainda não entenderam o “xis” da questão e perdem por não interagir diretamente com a população.


Leia abaixo entrevista com o parlamentar gaúcho.

R7 - Como o senhor utiliza a internet para ouvir seus eleitores?


Paulo Paim - Meu gabinete recebe centenas de mensagens por meio do "Alô Senado" [espécie de ouvidoria do Senado], que são respondidas via e-mail ou por cartas, para todo o Brasil. Entendo que a democracia acontece não somente na hora do voto, e que precisa ser uma relação reinventada entre o eleitor e os eleitos todos os dias. Isso é uma questão cultural: só aprendemos a democracia praticando. Procuro utilizar o "Alô Senado" como uma das ferramentas para o fortalecimento da democracia.

R7 - O que quer a população brasileira com essa interação?


A população quer ser respeitada e ouvida, quer fazer parte deste processo que se inicia nas urnas e que deve ser estendido para o dia-a-dia por meio da participação popular. A população quer escrever seus gritos.

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R7 - Com que frequência o senhor recebe mensagens?

Paulo Paim - Recebemos cerca de mil mensagens mensais via Voz do Cidadão. Isso sem contar as mensagens enviadas diretamente para meu e-mail [paulopaim@senador.gov.br] e redes sociais, que totalizam cerca de 4.000 mensagens por mês.

R7 - O que os internautas dizem? Quais são os principais temas de interesse? 

Paulo Paim - É claro que os principais temas são as marcas do nosso mandato: aposentadorias e fator previdenciário, salário mínimo, previdência social, redução de jornada de trabalho, discriminações, questões referentes aos direitos dos trabalhadores, idosos, juventude e pessoas com deficiência. Mas a nossa atitude de respeitar o cidadão e responder os seus questionamentos, inclusive suas críticas, foi um fator decisivo para que outras pautas, que não estavam diretamente ligadas ao mandato, fossem incluídas. O cidadão percebeu o comprometimento do nosso mandato e se sentiu confiante para trazer outras questões, como por exemplo, pesquisas científicas e tecnológicas. 

R7 - Qual o destino dessas mensagens?

Paulo Paim - Dezenas dessas mensagens transformaram-se em projetos de lei, audiências públicas, artigos de opinião, mensagens nas redes sociais, pronunciamentos, audiências em ministérios, enfim, em reflexões importantes para a construção da relação entre eleito e eleitores.

R7 - A internet e ferramentas como o "Alô Senado" têm ajudado no exercício do mandato? 

Paulo Paim - Sou de origem simples e vim do movimento estudantil dos anos 1960 e do movimento sindical dos anos 1970 e início dos anos 1980. Foi uma experiência muito rica, mas os anos me ensinaram que precisamos renovar todos os dias nossa sensibilidade. Esse amadurecimento nos leva à novas leituras da política e da realidade. O contato com a população e com o "Alô Senado" ampliou minha percepção.

R7 - Como assim?

O leque de questões que envolvem a vida das pessoas foi mudando, ficando mais claro. Por exemplo: as pessoas choram, riem, passam fome, têm dificuldades, e isso traz a convicção de que a política precisa ser humana, solidária. Cada projeto ou iniciativa influencia diretamente na vida dessas pessoas, nos seus sentimentos e na forma como escrevem suas histórias.

R7 - Mas esses canais realmente aproximam o parlamentar da população?

Paulo Paim - Eu creio que os agentes políticos ainda não entenderam a importância desse canal de comunicação. Não compreenderam que as Ouvidorias, como o Alô Senado, são instrumentos de aprimoramento da democracia. São canais de ligação, pontes, elos entre o cidadão e os seus eleitos. As pessoas enviam suas críticas e preocupações às ouvidorias. Como já falei, elas querem participar do processo, não querem ser meros coadjuvantes.

R7 - Então, essa interação virtual é fundamental para entender as demandas do eleitor?

Se bem utilizadas, as demandas recebidas pelas ouvidorias são fundamentais para a elaboração de políticas públicas. É aí que está o xis da questão: precisamos assumir essas demandas, analisá-las com muita atenção, discutindo sua viabilidade e todas as possibilidades que elas nos trazem, para que sejam utilizadas em planos de governos, em mandatos parlamentares, na própria agenda do Congresso Nacional. Nós, homens públicos, senadores e deputados, entendemos o recado das ruas? Estamos dando o efetivo retorno? A democracia brasileira pede passagem.

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