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Aceleramos o novo Chevrolet Tracker

Utilitário compacto chega do México cheio de atributos e quer "bater" EcoSport e Duster

Carros|Diogo de Oliveira, do R7

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Compacto, mas com visual atlético, Tracker tem tudo para conquistar admiradores no Brasil
Compacto, mas com visual atlético, Tracker tem tudo para conquistar admiradores no Brasil
Por fora, Chevrolet Tracker parece um mini Captiva
Por fora, Chevrolet Tracker parece um mini Captiva

A briga entre os utilitários compactos vai esquentar de vez. Acaba de chegar às lojas da Chevrolet o novo Tracker, jipinho urbano global criado para enfrentar, entre vários modelos, Ford EcoSport e Renault Duster, dupla que é referência de vendas da categoria hoje no País. Pouco menor que o Captiva, o Tracker chega com grandes ambições, mesmo vindo (importado do México) apenas na versão mais cara LTZ, com preço inicial de R$ 71.990.

A chegada do Chevrolet Tracker era aguardada desde o fim de 2012, quando o modelo foi apresentado mundialmente ainda como protótipo, no Salão do Automóvel de Paris. A confirmação veio em janeiro deste ano em um cartaz exibia a bandeira brasileira e de outros países da América Latina na estreia da versão final, no Salão de Detroit. Em junho, o Tracker foi lançado na Argentina e sua vinda ao Brasil passou a ser questão de tempo.


Alvo é o Ford EcoSport

Durante o lançamento nesta quarta-feira (3), a General Motors deixou claro que o Tracker chega para brigar diretamente com o EcoSport. A referência era esperada não só pela rivalidade entre as marcas, mas também pelo fato de o utilitário Ford ser o líder absoluto de vendas do segmento no ano. Contudo, essa referenciação também aponta para aspectos como atualidade de projeto e tecnologias embarcadas — pontos fortes do Eco.


O novo Tracker não herdou praticamente nada do antigo, que era a versão Chevrolet do Suzuki Grand Vitara
O novo Tracker não herdou praticamente nada do antigo, que era a versão Chevrolet do Suzuki Grand Vitara

O jipinho Chevrolet é global e traz itens como a central multimídia MyLink, com tela sensível ao toque no painel, conexão Bluetooth, entradas auxiliar e USB e possibilidade de acessar músicas, fotos e vídeos — inclusive do celular. Dos rivais, só o Duster oferece sistema com tela, com um detalhe: o Media NAV (Renault) tem GPS integrado, enquanto o MyLink requer instalação de aplicativo de navegação no smartphone.

Salvo este detalhe do MyLink, o Tracker é completíssimo. Vem de fábrica com rodas de liga leve aro 18, faróis de neblina, ar-condicionado, "trio" elétrico, sensores de obstáculos traseiros, câmera de auxílio nas manobras de ré, volante com comandos do som e do controle de cruzeiro (o popular "piloto automático"), forração em couro nos bancos, sistema ABS para os freios e quatro airbags (frontais e laterais dianteiros).


A lista de equipamentos pode ainda ter airbags laterais tipo cortina (que protegem os passageiros do banco traseiro), teto solar elétrico e moldura de acabamento cinza (tinânio) no painel. Com esses três itens, o preço do Chevrolet Tracker passa a R$ 75.490 e coloca o utilitário mexicano na disputa com versões tops de EcoSport e Duster — além do velho Hyundai Tucson. Só que os três rivais usam motores 2.0 flex.

Painel moderno é marcado pelas telas do MyLink e do quadro de instrumentos com velocímetro digital
Painel moderno é marcado pelas telas do MyLink e do quadro de instrumentos com velocímetro digital
Alavanca do câmbio automático tem seletor para trocas manuais
Alavanca do câmbio automático tem seletor para trocas manuais

Como é dirigir o Tracker


Confesso que estava ansioso para experimentar o SUV compacto Chevrolet. Por fora, o Tracker tem a robustez que normalmente se espera de um utilitário, porém com dimensões compactas, próprias para as grandes cidades. Comparado ao antigo Tracker, que era uma versão Chevrolet do Suzuki Grand Vitara, o novo parece bem mais robusto. Por outro lado, é mais urbano e menos "lameiro" — antigos donos talvez não reclamem.

Resumindo, o Chevrolet Tracker tem no porte atlético um ponto forte. Está mais para o Duster que para o EcoSport neste quesito. Por dentro, a sensação de robustez também é notada. A posição de dirigir mais vertical oferece vista mais panorâmica da via. Outro ponto alto é a bitola mais larga. Segundo a GM, o Tracker tem as bitolas (distância entre as rodas de um mesmo eixo) 2,1 cm maior que a do EcoSport. Isso dá equilíbrio.

R7 Carros acelerou o novo Tracker na pista do Campo de Provas de Cruz Alta, "casa" da General Motors em Indaiatuba (SP). Neste primeiro contato, o que mais impressionou foi justamente o equilíbrio do utilitário em movimento. Tanto nas curvas mais fechadas e quanto nas frenagens bruscas a carroceria do Tracker se manteve firme, sem torcer e inclinar em excesso. A direção pareceu acertada, com boas respostas aos movimentos.

Mesmo do Cruze, motor 1.8 Ecotec flex tem duplo comando variável de válvulas e foi recalibrado para o Tracker
Mesmo do Cruze, motor 1.8 Ecotec flex tem duplo comando variável de válvulas e foi recalibrado para o Tracker

Tração diantiera é o ponto fraco

No geral, o SUV mexicano se mostrou apto a brigar em alto nível com a concorrência. A decepção fica por conta da tração apenas dianteira. Inicialmente, a expectativa era de que o modelo fosse pelo menos oferecer opção de tração nas quatro rodas (4X4), até porque EcoSport e Duster têm o recurso nas configurações tops. A ausência do 4X4 não descredencia o Tracker, mas é uma falta, mesmo sabendo que os donos dificilmente o levarão para a lama.

Já o motor 1.8 Ecotec flex parece "menor" que os 2.0 flex dos adversários, mas (em rendimento) não é. No Tracker, este motor gera 140 cv (gasolina) e 144 cv (etanol) a 6.300 rpm, além de 17,8 kgfm e 18,9 kgfm de torque sempre a 3.800 giros. Com etanol no tanque, a GM diz que o jipinho leva 11,5 segundos para acelerar de 0 a\ 100 km/h e atinge velocidade máxima de 189 km/h. O câmbio é sempre automático de seis marchas.

Ao volante, a transmissão automática agradou, com trocas rápidas e "lisas". Só nas retomadas o desempenho se mostrou razoável — o câmbio reduz de forma brusca, fazendo o motor girar — e berrar — bem alto. Ainda é cedo para comparações, mas os motores 2.0 de EcoSport e Duster parecem se esforçar menos nas acelerações intensas. De qualquer forma, em desempenho, o Tracker está emparelhado com os rivais diretos.

Bancos forrados em couro bicolor dão aspecto chique ao interior predominantemente coberto de plásticos duros
Bancos forrados em couro bicolor dão aspecto chique ao interior predominantemente coberto de plásticos duros

Interior compacto, mas agradável

Outro aspecto que vale destacar neste primeiro contato com o Tracker é o interior. No geral, o estilo "dual cockpit" agrada, com linhas que integram portas e painel em desenhos simétricos (motorista e passageiro). O design é moderno e ergonômico, com todos os comandos ao alcance das mãos. Também há muitos porta-objetos espalhados pela cabine, nas portas, no nicho entre os bancos e no próprio painel — que tem dois porta-luvas.

A crítica fica com os materiais. O Tracker é basicamente revestido com plásticos duros de aparência simples. As texturas não decepcionam nem enchem os olhos. Há cromados e molduras de acabamento, que dão um toque de requinte. Mesmo assim, os preços acima dos R$ 70 mil pedem algo mais sofisticado. Pelo valor que custa, o SUV compacto fica devendo. A forração em couro dos bancos dá uma "maquiada" nisso.

O espaço interno também não surpreende. O mais generoso da categoria na cabine segue sendo o Renault Duster. O Tracker é quase tão compacto quanto o novo EcoSport. No banco traseiro, até cabem três adultos, mas com certo aperto. E o porta-malas de 306 litros definitivamente é modesto para um SUV. No fim, o jipinho urbano da Chevrolet faz bonito no pacote de equipamentos e no visual. E os brasileiros adoram isso.

FICHA TÉCNICA

Chevrolet Tracker LTZ

Motor: dianteiro, 1.8 16V, flex

Potência: 140/144 cv a 6.300 rpm (G/E)

Torque: 17,8/18,9 kgfm a 3.800 rpm (G/E)

Câmbio: automático, seis marchas; tração dianteira

Direção: Hidráulica

Suspensão: Independente McPherson na dianteira, eixo de torção atrás

Freios: Discos ventilados na frente, tambores atrás; ABS com EBD

Pneus: 215/55 R8

Dimensões: 4,49 m (comprimento), 1,77 m (largura), 1,64 m (altura), 2,55 m (entre-eixos)

Porta-malas: 306 l/735 l (banco traseiro rebatido)

Tanque de combustível: 53 litros

Preços: R$ 71.990 e R$ 75.490 (completo)

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