Cidades

26/2/2013 às 00h30 (Atualizado em 26/2/2013 às 13h34)

Um mês após tragédia de Santa Maria, familiares realizam homenagens às vítimas do incêndio

Grupo organizou um minuto de badaladas de sinos para lembrar jovens que morreram na boate

Do R7

Logo após incêndio, moradores de Santa Maria realizaram atos na cidade. Ideia é que homenagem às vítimas da tragédia passe a ser mensal AP Photo/Felipe Dana

Às 8h da próxima quarta-feira (27), Santa Maria vai parar por um minuto. Sinos das igrejas, buzinas e palmas irão preencher o silêncio em homenagem às 239 vítimas da tragédia da boate Kiss, ocorrida há um mês. A iniciativa é da associação dos familiares, criada oficialmente no último sábado (23).

Segundo o presidente do grupo, Adherbal Ferreira, pai de uma das vítimas do incêndio, a ideia do ato é unir o máximo de pessoas possíveis, inclusive de fora de Santa Maria.

— Queremos que se espalhe para o Brasil. Os sinos de todas as igrejas vão tocar. Quem não estiver na igreja toca a buzina do carro, bate palma. É um momento de integração.

Veja a cobertura completa da tragédia

Maioria das vítimas era de estudantes. Veja o perfil

Além disso, pais e sobreviventes irão se encontrar na praça Saldanha Marinho, no centro de Santa Maria, para continuar com as homenagens. Também está prevista uma caminhada pela cidade e a realização de diversas missas e cultos.

— Vários locais vão promover missas e passeatas, mas tudo pacífico.

Segundo Adherbal, o objetivo da associação é realizar atos mensais, sempre no dia 27, em homenagens às vítimas.

— Queremos que seja um dia de homenagem e não queremos que caia no esquecimento. A tragédia, queremos deixar para trás, mas vamos sempre lembrar da alegria deles. Eles são heróis e fizerem o mundo saber da inoperância do nosso sistema.

Associação

No último sábado (23), cerca de 600 pessoas compareceram ao encontro da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM).  O cadastro dos familiares ainda está em andamento, mas Adherbal estima que ao menos 230 pessoas integrarão o grupo. Segundo ele, a associação tem como principal objetivo a reintegração social dos pais. Além disso, irá acompanhar as investigações do caso.

— Queremos saber quem precisa de assistência psicológica, tentando trazer as pessoas de volta à sociedade. Muitos pais não querem falar sobre o assunto, muitos querem sair da cidade, estão reclusos, estamos notando que permanece no ar aquele clima de tristeza e a associação quer trazer essas pessoas para a vida.

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Adherbal explicou que a primeira medida da associação é localizar as pessoas que necessitam de auxílio para que o grupo possa tomar as medidas necessárias. Entre os projetos, há a ideia de criar uma espécie de grupo de terapia.

— Marcaríamos um dia para nos encontrar. Cada um falaria o que quer, ficaria à vontade, falaria sobre seu filho, ficaríamos sabendo quem era o filho do outro... Queríamos fazer isso com um psicólogo acompanhando.

Um mês de tragédia

A tragédia vai completar um mês nesta quarta-feira (27). O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, a 290 km de Porto Alegre, aconteceu na madrugada do dia 27 de janeiro e deixou 239 mortos e mais de cem feridos. O fogo teria começado quando a banda Gurizada Fandangueira se apresentava. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos.

A casa noturna estava superlotada na noite da tragédia, segundo o Corpo de Bombeiros. O incêndio provocou pânico e muitos não conseguiram acessar a única saída da boate. Os proprietários do estabelecimento não tinham autorização dos bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da casa estava vencido desde agosto de 2012.

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Esta é considerada a segunda maior tragédia do País depois do incêndio do Grande Circo Americano, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Em 17 de dezembro de 1961, o circo pegou fogo durante uma apresentação e deixou 503 mortos.

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