Micro e pequenas indústrias mantêm otimismo nos negócios em fevereiro
Segundo pesquisa, mesmo com inflação e inadimplência em alta, a satisfação atingiu o nível mais alto desde janeiro de 2020
Economia|Do R7

Apesar da escalada da inflação e do aumento da inadimplência, o mês de fevereiro apresentou sinais de otimismo entre os empresários das micro e pequenas indústrias. Segundo, mesmo com a queda da avaliação de faturamento e da margem de lucro, a satisfação com os negócios subiu de 132 pontos para 144 pontos, o mais alto índice desde janeiro de 2020 (veja gráfico abaixo).
A informação faz parte da pesquisa Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo, realizada pelo Datafolha, a pedido do Simpi (Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo), que ainda não tem os efeitos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que começou em 24 de fevereiro.
A previsão pessimista entre as micro e pequenas indústrias para inflação passou de 61% para 53% em fevereiro. Outros 37% acreditam que fica como está. Outros 10% esperam que vai melhorar.
Na avaliação do presidente do Simpi, Joseph Couri, a pesquisa indica o que pode ser o início de um possível ponto de virada, entretanto, a guerra e seus reflexos podem travar essa tendência, principalmente com a elevação da inflação e o consequente aumento do custo do dinheiro.
“Considerando que os resultados desta pesquisa, cuja base foi consultada em fevereiro, não trazem a percepção do empresário em relação aos reflexos da guerra, ainda que haja otimismo nos dados obtidos, os próximos meses serão desafiadores, pois muitas empresas ainda estão com atividades parcialmente ou totalmente paradas e com dificuldades financeiras", afirma o presidente do Simpi.
Segundo ele, o cenário tende a piorar com a inflação em alta e os custos de produção ainda mais pressionados, especialmente após o reajuste dos combustíveis. "Os sinais de otimismo possivelmente não irão perdurar e devem ser alterados em função da guerra”, ressalta.
Nível de satisfação

Inadimplência
Quebrando uma sequência de queda, a inadimplência atingiu 37% das micro e pequenas indústrias, que deixaram de receber algum pagamento de clientes. O índice está no maior patamar desde julho do ano passado, quando atingiu 39%.
De acordo com a pesquisa, seguindo a tendência de retomada das atividades, 58% das micro e pequenas indústrias estão funcionando normalmente. Entretanto, 13% ainda estão com a maior parte das atividades paradas e outras 3% totalmente paradas.
A pesquisa revela ainda que 50% dos dirigentes avaliam a situação da economia brasileira como ruim ou péssima. E apenas 18% avaliam como ótima ou boa. Para outros 31% a situação é regular.
O índice que varia de 0 a 200 pontos voltou ao patamar de dezembro, marcando 104 pontos em fevereiro, ante 99 em janeiro. Resultados acima de 100 pontos apontam para saldo positivo de vagas.
Entre dezembro e fevereiro, o índice de satisfação macroeconômica das micro e pequenas indústrias, que vem oscilando há oito meses, subiu de 77 para 88 pontos
Crise econômica
Para 51% das micro e pequenas indústrias, a crise econômica ainda é forte e afeta muito os negócios. Outros 40% acreditam que apesar da crise ainda forte, a economia voltará a crescer nos próximos meses. Para 7% a crise já passou e a economia já voltou a crescer.
Diante de uma previsão de mais obstáculos, Couri salienta que a recente derrubada do veto 8/2022 é uma vitória para as empresas do Simples, que poderão reparcelar seus débitos financeiros obtidos durante estes dois anos de pandemia e ganhar um respiro para manter as portas abertas.














