Doria descarta recursos para o Parque Augusta
Construtoras que são donas de terreno pedem, ao menos, R$ 120 milhões para liberar área
São Paulo|Do R7
O prefeito eleito João Doria (PSDB) indicou na terça-feira (4) que, se depender do seu governo, a criação do Parque Augusta, na região central, não sairá do papel.
— A Prefeitura não vai gastar dinheiro público nisso, dinheiro que precisa ser priorizado em saúde e educação. Quero deixar bem claro que não comprarei terreno para fazer praça ou parque.
A afirmação de Doria abre mais um capítulo na novela que se tornou o projeto de abrir à população o terreno de 23,7 mil metros quadrados entre as Ruas Caio Prado e a Marquês de Paranaguá.
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As construtoras Setin e Cyrela, proprietárias da área exigem ao menos R$ 120 milhões da Prefeitura para abrirem mão de um projeto que prevê a construção de quatro torres de 36 a 45 metros de altura no local — projeto já aprovado pelo órgão do patrimônio municipal.
O valor pedido representa o dobro do pago em janeiro de 2014 e não foi aceito pela gestão Fernando Haddad (PT).
— Essa alternativa [de pagar a desapropriação] é zero. Agora, o entendimento com os proprietários nós podemos ter, para que parte da área possa ser aberta à população.
Para a presidente da Sociedade Amigos e Moradores Cerqueira César, Célia Marcondes, o prefeito eleito está "equivocado".
— A gente nunca vai desistir. Esse parque é imprescindível.
O empresário Elie Horn, dono da Cyrela, aparece como doador de R$ 100 mil para a campanha de Doria. Ele também financiou o mesmo valor a Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e Haddad.
A assessoria de Doria nega que a decisão será tomada levando em conta interesses privados.