Agência Internacional de Energia Atômica afirma que Irã freou avanços em seu programa nuclear
De acordo com a ONU, o país mantém um depósito de 196 kg de urânio enriquecido a 20%
Internacional|Do R7
O Irã freou os avanços de seu polêmico programa nuclear ao manter estável a quantidade de urânio enriquecido, garante a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em um relatório divulgado nesta quinta-feira (14) em Viena.
De acordo com a agência nuclear da ONU, o Irã mantém um depósito de 196 kg de urânio enriquecido a 20%. Ou seja, só 10 kg a mais do que há três meses.
Além disso, não avançou na construção do controverso reator de plutônio de Arak, um dos complexos nucleares mais sensíveis do Irã. O país também não criou novas centrífugas para enriquecer urânio, cuja quantidade se mantém estável em 19.500 unidades distribuídas por diferentes usinas de produção.
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Na inspeção anterior, ocorrida entre maio e agosto deste ano, o Irã tinha instalado 1.800 novas centrífugas.
"Não há decisão técnica para não ter aumentado o número (de centrífugas). É só uma questão de decisão", disse à Agência Efe uma fonte diplomática, conhecedora da investigação sobre o Irã.
No caso do reator de água pesada de Arak, que produz plutônio, os inspetores da AIEA detectaram um "congelamento" nos avanços, afirmou outra fonte. "O ritmo de produção (em Arak) foi muito baixo, e não tem também qualquer explicação técnica", assinalou a fonte.
O freio no programa nuclear iraniano é registrado durante as negociações entre Irã e a comunidade internacional sobre um primeiro acordo diplomático que inicia um amplo processo que solucione um conflito que já dura uma década.
Além disso, coincide com a chegada ao poder do novo presidente Hassan Rohani, considerado mais moderado que seu antecessor, Mahmoud Ahmadinejad. De toda forma, a AIEA sustenta que "contrariamente às pertinentes resoluções do Conselho de Governadores (da AIEA) e do Conselho de Segurança (da ONU), o Irã não suspendeu suas atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio."
A AIEA constata o mesmo em relação a Arak, uma usina que preocupa o Ocidente pela produção de plutônio, um material que serve, assim como o urânio altamente enriquecido, para fabricar bombas atômicas. Por esse motivo, os inspetores concluem que não podem dar garantias sobre a natureza pacífica de o programa nuclear iraniano.
A comunidade internacional teme que, sob o guarda-chuva de um suposto programa nuclear civil, a República Islâmica esteja desenvolvendo as capacidades e os materiais para a construção de bombas nucleares, uma acusação que o Irã rejeita.














