“Ainda há milhares de documentos”, diz jornalista que revelou esquema de espionagem
Glenn Greenwald compareceu hoje em audiência da CPI da espionagem, no Senado brasileiro
Internacional|Do R7, em Brasília

O jornalista americano Glenn Greenwald declarou nesta quarta-feira (9) à CPI da Espionagem no Senado, em Brasília, que ainda guarda “milhares” de documentos da NSA — a agência de segurança dos Estados Unidos acusada recentemente de espionar autoridades brasileiras. Segundo o correspondente do jornal britânico The Guardian, os dados são complexos e ele conta com a ajuda de jornalistas e peritos para decifrar as informações.
— Sempre que encontro um documento, eu vou publicando. Não quero aguardar para saber tudo para publicar, faço reportagens quando vou descobrindo.
Correspondente do Guardian no Brasil, o norte-americano foi o responsável por revelar ao mundo os programas secretos americanos de interceptação de dados, a partir de documentos vazados por Edward Snowden, ex-técnico da NSA e atualmente asilado na Rússia.
Canadá se declara "preocupado" após denúncias
Denúncias podem afetar transações de R$ 15 bi com o Canadá
Greenwald disse que prepara outras reportagens, em parceria com jornalistas britânicos e canadenses. Ele afirmou que, por enquanto, não tem mais informações sobre o Brasil e que os documentos ainda estão em análise.
— Tudo o que eu sei [sobre o Brasil], eu já publiquei.
Desde o início de setembro, os documentos vazados por Snowden mostraram que a presidente Dilma Rousseff, a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia foram espionados pela agência americana e por outros órgãos de espionagem estrangeiros.
Segundo a mais recente denúncia, divulgada no último fim de semana pelo programa Fantástico, a agência canadense de segurança em comunicação acessou o sistema de segurança do Ministério de Minas e Energia e acessou telefones fixos, celulares e comunicações via computador.
Para Greenwald, o principal objetivo dos Estados Unidos é tirar vantagem econômica do Brasil.
— Com certeza o grande motivo [da espionagem] é para ter a vantagem econômica. [...] O propósito principal é para aumentar poder do governo dos Estados Unidos. Quando o governo sabe tudo, [quando sabe] o que a população está planejando, comunicando, o governo tem mais poder e a população tem menos [poder]. E o segundo motivo é econômico.
Para o americano, o argumento de que os EUA têm motivos de segurança nacional para espionar o Brasil não se justifica.
— [As reportagens] mostram como o governo dos Estados Unidos está mentindo. Tem terrorista na Petrobras, no Ministério de Minas e Energia, no escritório da presidente Dilma? Tudo o que eles falam não é verdade e nossas reportagens vão mostrar isso.
Canadá se nega a comentar acusações de espionagem
Prática expõe linha tênue entre segurança nacional e liberdade














