Argélia confirma mortes durante operação para libertar reféns e diz que ataques continuam
Potências como Reino Unido e Japão criticaram a Argélia por não avisar sobre ação
Internacional|Do R7, com agências internacionais

O ministro argelino das Comunicações, Mohamed Said, confirmou que alguns reféns em mãos dos islamitas armados morreram ou ficaram feridos durante o ataque do exército argelino a um campo de gás nesta quinta-feira (17) para libertá-los.
Além disso, Said disse que houve "um número importante de reféns libertados e, infelizmente, mortos e feridos", e que não era possível dar cifras definitivas.
"A operação continua", afirmou Said em uma declaração ao vivo a um canal de língua francesa, na primeira reação oficial desde o início da operação de resgate que o exército lançou pela manhã.
As forças da Argélia iniciaram hoje um ataque terrestre ao campo de exploração de gás onde se encontram centenas de trabalhadores de argelinos e mais de 40 estrangeiros detidos como reféns. Eles foram presos na madrugada de quarta-feira (17) por um grupo rebelde islamita que se autointitula "Batalhão de Sangue".
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Um porta-voz do grupo declarou à agência ANI, da Mauritânia, que 34 reféns estrangeiros haviam sido mortos e que sete outros ainda estavam vivos.
O grupo de sequestradores, que são ligados à rede terrorista Al Qaeda, exigem o fim da intervenção francesa no Mali, país que faz fronteira com a Argélia.
Segundo o governo de Argel, a operação conseguiu libertar 600 reféns argelinos e quatro estrangeiros, segundo a agência nacional argelina APS.
Durante o ataque de quarta-feira, que deu início aos protestos, um argelino e um britânico foram mortos. A identidade das vítimas após a operação de hoje ainda não foram informadas
Reação internacional
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, lamentou hoje não ter sido informado da operação militar do exército argelino, indicou um porta-voz.
Cameron foi informado da operação no campo de gás de In Amenas durante uma conversa por telefone com seu colega argelino Abdelmalek Sellal.
"O governo argelino está a par que teríamos preferido ser consultados com antecedência", enfatizou o porta-voz, acrescentando que Sellal explicou que foi preciso agir com certa rapidez.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca expressou sua preocupação em relação à operação e disse que pedirá um esclarecimento às autoridades argelinas.
"Obviamente estamos preocupados com a informação sobre a perda de vidas humanas", afirmou o porta-voz do presidente Barack Obama, Jay Carney. "Tentaremos pedir esclarecimentos ao governo argelino", acrescentou.
Já o presidente francês François Hollande classificou a operação de resgate como dramática.
— As autoridades argelinas me informam regularmente sobre a situação, mas ainda não disponho de elementos suficientes para fazer uma avaliação. Eu me dirijo a vocês em um momento de excepcional intensidade devido a uma captura de reféns de várias nacionalidades na Argélia.
Já o Japão, que também possui cidadãos como reféns, exigiu que Argélia cesse imediatamente a operação militar.
Um porta-voz do governo informou que o primeiro-ministro Shinzo Abe, que se encontra em Bancoc, ligou para seu colega argelino para expressar sua "profunda preocupação" a propósito da operação.
"Ele disse que essas ações devem ser suspensar", afirmou o porta-voz Yoshihide Suga.














