Boca de urna na Grécia indica vitória do 'não' em referendo
Mesmo permanecendo na zona do euro gregos vivem incerteza sobre futuro
Internacional|Do R7, com agências internacionais

Estão fechadas as urnas do referendo sobre austeridade convocado pelo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras. Logo após o encerramento da votação, diversas emissoras locais divulgaram pesquisas mostrando o "não" em ligeira vantagem sobre o "sim".
A maioria da população grega se pronunciou neste domingo (5) contra a proposta de acordo dos credores, com total entre 49,5% e 53,5% a favor do "não".
Segundo as primeiras pesquisas de boca de urna divulgadas após o encerramento do horário de votação, o "sim" obteve entre 46,5% e 50,5% dos votos.
De acordo com informações da agência grega de notícias, AMNA, a participação eleitoral foi de cerca de 65%, semelhante a das eleições gerais de janeiro.
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Na sede do partido de extrema-esquerda Syriza, o mesmo de Tsipras, foi possível ouvir gritos de comemoração pelo resultado das pesquisas.
Em uma primeira reação à televisão pública, o ministro adjunto de Seguridade Social, Dimitris Stratulis, afirmou que o povo disse "não" à campanha do medo e rejeitou a proposta dos credores, o que reforça a posição do governo nas negociações.
"Hoje é um dia de festa, a democracia é uma festa. Porque se pode ignorar a decisão de um governo, mas não a decisão de um povo", afirmou o premiê durante a manhã, pouco depois de depositar seu voto na urna.
As primeiras projeções devem aparecer por volta das 21h (15h em Brasília). Para que a consulta popular seja válida, é preciso ter a participação de pelo menos 40% do corpo eleitoral.
Resultado incerto
O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, disse a uma rádio alemã que a Grécia teria de introduzir uma outra moeda se o "não" vencer o referendo deste domingo que trata do pacote de ajuda em troca de reformas no país.
"A Grécia continua no euro depois desse referendo? Este certamente é o caso, mas se eles disseram "não" eles terão de introduzir uma outra moeda após o referendo, pois o euro não estaria disponível como meio de pagamento", disse Schulz à rádio Deutschlandfunk.
O que está em jogo?
Cerca de 9,8 milhões de gregos foram convocados a dizer se o governo deve aceitar ou não as exigências de seus credores para ter acesso a um pacote de resgate de mais de 7 bilhões de euros.
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Entre outras coisas, esse dinheiro seria usado para pagar uma parcela de 1,6 bilhão de euros de um empréstimo do FMI (Fundo Monetário Internacional) — uma das partes envolvidas nas tratativas— que venceu na última terça-feira (30), colocando o país em situação de default.
No entanto, as conversas foram interrompidas após Tsipras convocar o referendo deste domingo. Para liberar os recursos, o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu — a ex-Troika — cobram um amplo plano de reformas, incluindo aumento de impostos e revisão de aposentadorias. Já o primeiro-ministro pede uma reestruturação da dívida do país, considerada "impagável" por ele.












