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Conflito na Ucrânia tem 730 mil refugiados na Rússia, diz Acnur

Número é baseado em dados das autoridades russas e considerados "verossímeis" pela ONU

Internacional|Do R7, com agências internacionais

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Do total de deslocados, 27 mil vivem em 40 abrigos, e o restante está hospedado por parentes ou amigos
Do total de deslocados, 27 mil vivem em 40 abrigos, e o restante está hospedado por parentes ou amigos

Cerca de 730 mil pessoas deixaram a Ucrânia e foram para a Rússia este ano devido aos combates no leste da Ucrânia, disse o diretor europeu do escritório da ONU para refugiados, Vincent Cochetel, nesta terça-feira (5).

Esse número significa um êxodo muito superior aos 168 mil que fizeram solicitação ao Serviço de Migração da Rússia.


Outras 117 mil pessoas estão desabrigadas no interior da Ucrânia, um número que está crescendo em cerca de 1.200 por dia, disse o chefe na Europa da Acnur (Alto Comissariado da ONU para Refugiados).

O Acnur não incluiu as pessoas que normalmente teriam cruzado a fronteira para comércio ou turismo na cifra de 730 mil, de acordo com Cochetel.


Esses números são baseados em dados fornecidos pelas autoridades russas e considerados "verossímeis" pela Acnur.

"Parecem verossímeis os dados apresentados pela Rússia. Os ucranianos que cruzaram a fronteira não são turistas. Fugiram da situação no leste da Ucrânia", afirmou Vincent Cochete, diretor do escritório para a Europa do Acnur.


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A Acnur, no entanto, acredita que este número seja menor ao da realidade. De maneira geral, os homens não querem se registrar como deslocados porque temem serem recrutados pelo exército ucraniano ou serem vítimas de represálias se retornarem para onde viviam.

Integrantes de minorias étnicas, como os ciganos, por exemplo, também não se registram porque desconfiam das autoridades locais, comentou Cochetel.

Os deslocados deixaram suas casas em função do conflito armado, assim como pela interrupção de serviços públicos e do pagamento de pensões e de salários.

Uma parte deles são procedentes da Crimeia, península da Ucrânia anexada em março pela Rússia depois do resultado arrasador a favor da separação em um plebiscito.

"As pensões, os benefícios para as crianças e outros pagamentos não são feitos há três meses em lugares como Lugansk e Donesk. Algumas indústrias não querem pagar impostos e o sistema bancário não funciona, o que explica o porquê do povo ir embora, além da operação militar", explicou Cochetel.

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Do total de deslocados, 27 mil vivem em 40 abrigos, e o restante está hospedado por parentes ou amigos.

— Eles vivem com muito pouco porque não estavam preparados para uma saída, mas tiveram que tomar uma decisão rápida. Quase não têm pertences e o pouco que tinham foi confiscado em postos de controle.

Cochetel disse ainda que o exército da Ucrânia recuperou 75% do território que tinha ficado sob o controle de grupos rebeldes pró-Rússia. Tratam-se de doze cidades ou povoados de importância.

Por isto, cerca de 20 mil deslocados retornaram para diferentes localidades do leste da Ucrânia, onde Cochetel disse ter ficado impressionado pelo nível de destruição da infraestrutura civil.

Em uma cidade como Slaviansk, um dos centros de operação das milícias pró-Rússia, 70% da população, de 120 mil pessoas, abandonou seus lares "e por enquanto poucos retornaram".

O representante do Acnur disse que nesta cidade 5% das casas ficaram destruídas, mas que em alguns locais até 60% foram danificadas.

"A pergunta agora é quem será responsável pela reconstrução", indagou.

Por enquanto, os combates continuam nas zonas periféricas de Lugansk e Donestk, acrescentou Cochetel, mas o temor é que ocorra um "êxodo em massa" se acontecerem combates dentro das cidades, concluiu.

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