Economista é nomeado primeiro-ministro egípcio
Hazem al-Beblawi, ex-ministro das Finanças, foi nomeado seis dias após a destituição do presidente islâmico Mohamed Mursi
Internacional|Do R7

O economista liberal Hazem al-Beblawi, ex-ministro das Finanças, foi nomeado nesta terça-feira (9) novo primeiro-ministro do Egito, seis dias após a destituição do presidente islâmico Mohamed Mursi, que desencadeou uma onda de violência em todo o país.
O ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, que chegou a ser cotado para assumir o governo de transição, ocupará o cargo de vice-presidente encarregado das relações internacionais, anunciou o porta-voz da Presidência, Ahmed al-Muslimani.
Este anúncio foi feito no momento em que a Irmandade Muçulmana enterra as dezenas de manifestantes mortos na segunda-feira durante uma manifestação em apoio ao presidente Mursi.
Apesar de a Irmandade ter convocado uma "revolta" após o "massacre", nenhum incidente foi registrado nesta terça-feira.
Para analistas, "espionagem" abala, mas não põe em risco relação Brasil-EUA
Câmara e Senado se mobilizam para discutir denúncia de espionagem a brasileiros
O novo primeiro-ministro é um economista de tendência liberal, de 76 anos, que traçou sua longa carreira em várias instituições econômicas particulares e públicas, egípcias e internacionais.
Hazem al-Beblawi foi vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças em 2011, durante o período de transição sob o governo militar que se seguiu à queda de Hosni Mubarak.
Pouco após esse anúncio, o Exército advertiu para qualquer tentativa de perturbação neste período "delicado e complexo" de transição, em uma declaração à televisão pública.
A escolha de Beblawi é anunciada depois de vários dias de discussões e da retirada do principal partido salafista, Al-Nur, que apoiou o golpe militar ao lado de movimentos majoritariamente laicos, em razão da violência que causou dezenas de mortes entre os partidários de Mursi no Cairo.
Com o objetivo de relançar a transição política, o presidente interino, Adly Mansour, decretou à noite que a organização de eleições legislativas será iniciada antes do final do ano.
A declaração constitucional, divulgada pela agência oficial Mena, prevê o início da organização de eleições legislativas antes do final de 2013 e seu fim para antes do início de fevereiro. Em seguida, uma nova Constituição será submetida a referendo, para que depois uma eleição presidencial seja anunciada.
Mas o anúncio foi criticado imediatamente por uma autoridade da Irmandade Muçulmana.
"Um decreto constitucional por um homem nomeado por golpistas... devolve o país à estaca zero", escreveu Esam al-Erian no Facebook.
Já o movimento Tamarrod, que organizou as manifestações em massa contra Mursi, expressou suas reservas em relação ao decreto constitucional e declarou que se prepara com especialistas para uma série de mudanças.
O que acontece no mundo passa por aqui
Moda, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia









