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Enterro de prisioneiro palestino morto em Israel evidencia clima de tensão

Internacional|Do R7

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Sair (Cisjordânia), 25 fev (EFE).- A cidade de Sair, situada na Cisjordânia e próximo a Hebron, viveu momentos de revolta e tristeza nesta segunda-feira durante o enterro de Arafat Yaradat, cuja morte no último sábado em uma prisão israelense desencadeou uma onda de protestos por toda Palestina. Com o comércio e os colégios fechados, os moradores de Sair foram às ruas para percorrer o caminho que separa a casa da família de Yaradat do pequeno cemitério local e também evidenciar toda revolta contra os militares israelenses. "Estamos destroçados pela morte deste jovem, que foi golpeado até a morte pelas forças de ocupação", afirmou à Agência Efe um dos presentes, Walid Ahmar, que advertiu que "muitos, sobretudo seus familiares, farão questão de vingar a morte deste mártir". "Espero que o mundo reaja perante a isto, não só por Arafat, mas por todos os palestinos que estão morrendo", afirmou outro morador, Yarif Froj. Na chegada do caminhão militar que trazia o corpo Yaradat, os presentes demonstravam muita revolta e repetiam gritos nacionalistas, os quais pediam a "libertação da Palestina" e a "libertação de mesquita de Al-Aqsa". "A porta de (mesquita) Al-Aqsa é de ferro. Ninguém pode abrí-la, exceto os mártires", gritava um homem em um megafone. "Israel comete crimes contra nossa terra, contra nossa gente e contra nossos lugares sagrados. Arafat é o mártir de Hebron. Um mártir de toda palestina", seguia o orador. Por conta da revolta da população, alguns jovens chegaram a reivindicar "o começo da terceira intifada" (levantamento popular) e também advertiam que "este massacre não ficará impune". Segundo fontes palestinas, aproximadamente 12 mil pessoas compareceram ao enterro de Yaradat, apesar de o Exército israelense, em estado de alerta máximo hoje, ter restringido os acessos a Hebron. Azi Dweik, um deputado palestino do Hamas que estava presente no ato, assinalou que "muitos massacres já ocorreram, mas que agora os líderes do mundo devem agir para por fim ao massacre dos palestinos". Antes do enterro, a família realizou o velório do jovem em um salão comunitário situado ao lado do posto de gasolina onde Yaradat trabalhava. No telhado do local, cinco milicianos das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, que traziam os rostos cobertos com a tradicional kufiya palestina (lenço), disparavam tiros para o alto em sinal de luto. Segundo a mãe de Yaradat, os soldados que prenderam seu filho na última semana - durante uma batida noturna, realizada na casa da família -, disseram que o mesmo não voltaria mais: "Se despeçam dele porque não vão voltar a ve-lô". Yaradat, de 30 anos, foi preso por ser suspeito de atirar pedras nos militares israelenses e, por isso, foi encaminhado à prisão de Meguidó, onde faleceu no último sábado após supostamente ter tido um ataque de coração, segundo o Serviço israelense de Prisões. No entanto, após a autópsia realizada ontem, o chefe de medicina legista palestino informou que o coração do mesmo estava intacto e que seu corpo apresentava claros sinais de tortura. O Ministério da Saúde israelense, por sua vez, assegurou que os danos podem ter sido causados na tentativa de reanimá-lo, alegando que a causa da morte de Yaradat será confirmada somente após os exames toxicológicos e microscópicos. Apesar de isolado, o fato elevou a tensão na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, onde as forças de segurança israelenses seguem em estado de alerta, enquanto os palestinos seguem protestando. Salah Al Bardawil, membro do movimento Hamas, advertiu hoje que "uma nova intifada está a ponto de ser iniciada para prestar apoio aos prisioneiros palestinos". Neste aspecto, o ativista chegou a mencionar o sequestro de soldados israelenses para trocá-los por presos palestinos, informou a agência "Ma'an". Para diminuir a tensão gerada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou hoje a transferência dos impostos que arrecada em seu nome à Autoridade Nacional Palestina, o qual não era repassado regularmente desde que a ONU elevou o status da Palestina para um estado observador não membro no último mês de novembro. EFE aca-elb-nm/fk (foto)

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