Entidades judaicas repudiam vinda ao Brasil de aiatolá que defende a destruição de Israel

Argumento é de que ele está ligado ao grupo Hezbollah, visto como terrorista por vários países

Dirigente de entidade diz que violência não contribui para a paz
Dirigente de entidade diz que violência não contribui para a paz Reuters

A Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo) e a Conib (Confederação Israelita do Brasil) entraram em contato com autoridades diplomáticas brasileiras para repudiar a vinda do aiatolá xiita iraquiano, Mohsen Araki, ao Brasil, para palestra, na próxima semana, em São Paulo, sobre o combate ao radicalismo e extremismo. Araki prega a destruição do Estado de Israel, defendendo uma união de todas as correntes islâmicas.

Só por essa premissa, as entidades judaicas consideram o posicionamento de Araki, que teria ligações com o grupo Hezbollah, uma ofensa a Israel e à paz. E uma maneira completamente distorcida de abordar a luta contra o terror, justamente por causa de suas ideias extremistas.

O Hezbollah é considerado terrorista por Estados Unidos, Argentina, Canadá, Países Baixos e Israel. Já o seu braço armado está na lista de terrorismo da União Europeia e do Reino Unido, entre outros.

Segundo o presidente executivo da Fisesp, Ricardo Berkiensztat, a melhor maneira de se combater o terrorismo é a educação e não a incitação à violência.

— A longo prazo é a educação para as diferenças, pela convivência pacífica entre povos e religiões, o caminho para o combate ao terrorismo. Neste momento é importante manter para grupos específicos um discurso veemente contra o terrorismo. Que qualquer xeique árabe que fale da paz, valorize a convivência e não use meias palavras. Temos de aprender a conviver respeitando um ao outro.

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Berkiensztat ressalta que não há como ter um discurso pacifista defendendo o uso da violência contra outros povos.

— Ele (Araki), no seu caso especifico, é muito ligado às suas declarações em favor da violência. Alerto os grupos de manifestantes islâmicos, já que a grande maioria quer a paz, para que eles também se posicionem contra um discurso belicista.