EUA buscam superar furacão Sandy, após dezenas de mortes e prejuízo bilionário
Sentimentos de solidariedade e cooperação se espalham pelas regiões atingidas
Internacional|Do R7, com agências internacionais

Equipes de resgate e da defesa civil espalhadas pela costa leste americana acordaram nesta quarta-feira (31) com a difícil tarefa de limpar e identificar os principais estragos de Sandy, o furacão que se transformou em tempestade tropical, e deixou, somente nos EUA e no Canadá, mais de 30 mortos e um prejuízo que pode ultrapassar a cifra dos R$ 100 milhões .
Autoridades das principais cidades e Estados atingidos, entre elas, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e o governador de Nova Jersey, Chris Christie, pediram, na noite da terça-feira (30), que os cidadãos mantivessem a calma e cooperassem uns com os outros.
Até mesmo o presidente americano, Barack Obama, que paralisou sua campanha de reeleição devido ao desastre natural, veio a público para anunciar a liberação de verbas federais emergenciais para os afetados pelo Sandy destacando o compromisso estatal:
“Esta tempestade ainda não terminou”, advertiu Obama durante visita à sede da Cruz Vermelha americana em Washington, acrescentando que as pessoas que foram afetadas pelo ciclone devem saber que "os Estados Unidos estão com elas".
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Agentes civis e representantes das empresas de infraestrutura pública tentam limpar a maior parte dos estragos, ao mesmo tempo em que esperam a água baixar em algumas regiões, para, por fim, conseguir estimar quando exatamente a situação no nordeste americano será normalizada.
Analistas financeiros das empresas de seguros estimam que os estragos da tempestade Sandy na economia americana, que poderá ultrapassar o valor de R$ 100 bilhões (US$ 50 bilhões de dólares), é um dos "10 a 15 mais devastadores" da história dos Estados Unidos em produção perdida, danos à infraestrutura e prejuízos pessoais, afirmaram especialistas nesta terça-feira (30) para a AFP. O valor contabiliza cerca de R$ 40 bilhões em impactos diretos e entre R$ 20 e 60 bilhões devido à paralisação da economia.
Por sua vez, a empresa californiana Eqecat, que também faz projeções de riscos de catástrofes, calculou que Sandy deixaria danos econômicos de cerca de R$ 40 bilhões (US$ 20 bilhões). Desses, entre R$ 10 e 20 bilhões (US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões) estariam cobertos por seguros.
Serviços
Os serviços de transporte público, que foram suspensos em metrópoles como Nova York e Washington, e em trechos como o "corredor do Leste" que compreende as estradas e ferrovias do norte da Virgínia até Boston, estão nesta quarta-feira (31), retornando a normalidade. Em NY, o prefeito Bloomberg anunciou que o metrô e os aeroportos devem continuar fechados, mas alguns ônibus voltaram a circular ainda na noite de terça-feira (30).
Desde que a tempestade iniciou seu trajeto terrestre, 8 milhões de casas estão sem fornecimento de energia, segundo o Departamento de Energia, nos Estados de Connecticut, Delaware, Maryland, Massachusetts, New Hampshire, Nova Jersey, Nova York, Carolina do Norte, Pensilvânia, Rhode Island e Virgínia.
As companhias aéreas suspenderam desde domingo (28) mais de 15 mil voos com partida e chegada à região atingida pela tempestade Sandy e boa parte da atividade do governo federal, dos governos de, pelo menos, 13 Estados e de centenas de governos municipais foi paralisada.
O comércio fechou em milhares de shoppings e o turismo e a visitação a teatros, restaurantes e cassinos caiu notavelmente.
Eleições paralisadas
A tempestade Sandy manteve suspensa nesta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo, a campanha eleitoral, com o presidente Barack Obama centrado nas tarefas de recuperação e seu rival republicano, Mitt Romney, arrecadando fundos para os desabrigados.
Na segunda-feira (29), as atividades de ambos os candidatos foram canceladas à espera que Sandy tocasse a terra e na terça-feira (30) Obama seguiu recluso na Casa Branca avaliando os danos causados pela tempestade em vários Estados do nordeste do país e realizou apenas uma breve e não anunciada visita à sede da Cruz Vermelha em Washington.
As enquetes a apenas sete dias do pleito de 6 de novembro seguem refletindo um empate entre Romney e Obama, que tenta a reeleição apostando para ganhar a imagem de um presidente que sabe responder a situações críticas como a provocada pelo impacto de Sandy.
Até mesmo o governador de Nova Jersey, o republicano Chris Christie, elogiou em várias aparições televisivas a resposta de Obama perante a tempestade e comentou que "merece um grande crédito" por seu trabalho em uma crise como esta, depois de ter questionado duramente sua liderança ao longo da campanha.
A Casa Branca anunciou na terça-feira a suspensão dos atos de campanha de Obama previstos para esta quarta-feira (31) no Estado-chave de Ohio e horas mais tarde informou que, em vez disso, o líder viajará para Nova Jersey, uma das regiões mais afetadas e devastadas pela passagem da tormenta.
Durante sua visita à sede da Cruz Vermelha, Obama alertou que a tempestade, que deixou mais de 8 milhões de lares sem luz, "ainda não terminou", em alusão às possíveis inundações que podem ser geradas pelas fortes chuvas da segunda-feira.
Ali, ressaltou também as "extraordinárias" dificuldades pelas quais passaram os moradores dos Estados atingidos por Sandy e disse que se trata de uma situação "dolorosa" para todo o país. O presidente destacou, além disso, a coordenação entre as autoridades para fazer frente à tempestade, assim como a "resistência" da população da cidade de Nova York, uma das mais afetadas.
O líder ligou na terça-feira para os governadores dos Estados atingidos pela tempestade e aos prefeitos das cidades que receberam o impacto da tempestade. Também participou de uma videoconferência na sala de crise da Casa Branca para receber a última atualização sobre os efeitos de Sandy e sobre os esforços federais em curso para apoiar as ações de resposta.
Com Obama fora da campanha em dias cruciais, especialmente em territórios indecisos como Ohio, Flórida e Virgínia, o ex-presidente Bill Clinton intensificou sua presença para promover a reeleição do líder democrata e visitará oito Estados nesta semana.
Enquanto isso, Romney transformou, na terça-feira, um ato de campanha que tinha programado em Ohio em um evento de arrecadação de fundos para os desabrigados pela tormenta.
"Estamos tristes por todo o sofrimento em curso em uma grande parte do país", ressaltou o candidato presidencial republicano, que afirmou também diante de mil pessoas em um colégio de Ketterling (Ohio) que tinha falado por telefone com os governadores dos Estados mais afetados.
Segundo anunciou na terça-feira em sua campanha, Romney voltará à corrida eleitoral nesta quarta-feira com três comícios no decisivo Estado da Flórida. Além disso, na quinta-feira (1º) viajará à Virgínia após ter cancelado uma visita a esse Estado, também crucial, programada para domingo passado perante a iminente chegada de Sandy.
Em uma longa corrida eleitoral que foi bastante "imprevisível", a tempestade "acrescenta incerteza" à reta final, segundo comentou à Agência Efe Dante Chinni, um professor de política da American University.
Para Benjamin Knoll, analista de eleições do Center College de Danville (Kentucky), a suspensão das campanhas pode prejudicar Romney, porque "cada dia que passa é um a menos" para tentar reduzir a leve vantagem que Obama tem em alguns Estados indecisos.











