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Karkubi: a droga que destrói vidas no Marrocos

Internacional|Do R7

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Marta Miera. Casablanca (Marrocos), 17 abr (EFE).- A droga dos mais pobres em Marrocos é o karkubi, um psicotrópico que circula pelos bairros desfavorecidos, mas que também faz estragos entre os estudantes dos mais diversos colégios. Remédios como Rivotril e Gardenal, que utilizados sob prescrição medica não apresentam riscos, são consumidos neste país em grandes doses e misturados com haxixe, álcool e cola, o que pode chegar a provocar alucinações e condutas psicopáticas. O nome coloquial para estes psicotrópicos é karkubi, mas "Cartucho", "Recarga", "Ampola vermelha" e "Guadalupe" (em alusão à série mexicana que nos 90 causou furor na sociedade marroquina) são outros apelidos que são usados para especificar as diferentes cápsulas que circulam no mercado negro. A bomba-relógio explode quando o karkubi é juntado ao "maajun", uma popular massa de farinha misturada com haxixe em pó: uma viagem direto a um "paraíso" com perigosos efeitos secundários. "Os consumidores de psicotrópicos podem ter efeitos secundários que levam à amnésia, à automutilação, ideias suicidas e inclusive assassinas", contou o médico Abdelá em um relatório do Centro Especializado em Dependência de Casablanca. O relatório acrescenta que "o uso de psicotrópicos está estreitamente relacionado com a miséria social e afetiva, que transforma os indivíduos em animais". Roubos, estupros, agressões, ruptura familiar e frequentes penas de prisão, é assim que Mohammed Mutawakil (nome fictício) resume as consequências do karkubi, uma droga que começou a tomar "por prazer" aos 17 anos e parou há sete. "Se alguém fala com você, você não entende nada", disse Mutawakil, enquanto ao seu lado, Imane que é vizinha do bairro popular de Hay Al Mohammadi de Casablanca, conta como seu marido esteve um ano e meio preso depois de ser condenado por roubo, e como ao sair, "drogado" de karkubi, sofreu um acidente que o deixou vários meses em coma. A neurocirurgiã Mahjuba Butarbuch destacou que 20% dos casos de traumatismo que chegam nas urgências do Hospital de Especialidades de Rabat apresentam antecedentes de toxicodependência, mais concretamente de dependência ao karkubi. "São pacientes muito difíceis de operar porque tem um nível muito alto de tolerância às drogas o que torna complicado anestesiá-los", disse a neurocirurgiã. O karkubi é comprado no mercado negro por um preço que oscila entre R$ 6 e R$ 18 dependendo do produto que, segundo os especialistas, chega vencido (o que aumenta seu efeito nocivo) e de forma clandestina da Argélia e do enclave espanhol de Melilla. É difícil saber o ano exato no qual estes psicotrópicos começaram a ser consumidos no Marrocos com fins toxicômanos, mas o psiquiatra Fouad Laabudi, que trabalha em um Centro de Prevenção de Toxicômanos, assegurou que nos anos 70 já circulavam pelo mercado negro. O primeiro alarme foi dado por três associações em 2005, ao se constatar que uma das fortificações dos traficantes eram as escolas e os institutos, onde nos dia de hoje os psicotrópicos passam de mão em mão inclusive entre crianças de 12 anos de idade. "Os comprimidos são pequenos, fáceis de consumir e de esconder por isso é simples enganar os policiais", disse Mohammed Harir, membro da Associação "L'heureux Joyeuse", que junto a outras duas ONGs organizam campanhas de sensibilização nos centros de ensino. Consumidos também entre os jovens para estar "em sintonia" nos estádios durante os jogos de futebol - onde costumam ser frequentes os atos de vandalismo - as associações advertem que os traficantes também dão karkubi a seus cachorros para aumentar sua agressividade. Bairros pobres, colégios, estádios de futebol, mulheres, homens e crianças, o fenômeno do karkubi abrange, segundo o psiquiatra Laabudi, todos os níveis sociais e econômicos. Como ocorre com todas as drogas, diz Laabudi, seus efeitos diferem dependendo do estado psíquico da pessoa, mas o que "é claro é que se transformou em um problema social". EFE mmp/jt/ma (foto)

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