Legitimidade da “Troika” está ameaçada com eleições na Grécia
Acordo feito com entidade é alvo de críticas, principalmente pela presença do FMI
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Mais do que um desafio à União Europeia (UE), as eleições na Grécia, neste domingo (25) serão uma mensagem direta à Troika, grupo formado pela UE, FMI e Banco Central Europeu.
Uma vitória da frente governista, do atual primeiro-ministro Antonis Samaris, seria uma prova de que a população, ainda que descontente com os sacrifícios da austeridade, não vê outra alternativa senão se submeter a uma rígida cartilha econômica para tirar o país de uma crise histórica, cujo pico ocorreu em 2012.
Mas, em caso de uma vitória do Syriza, liderado por Alexis Tsipras, o que tem se mostrado mais provável, o país estará enviando uma mensagem direta a membros que ele considera "estranhos" neste contexto: o FMI e, em parte, o Banco Central Europeu (BCE). Na maioria das pesquisas, Tsipras está cerca de 5% à frente nas intenções de votos, com um contingente que gira em torno de 33% de eleitores.
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A professora Elena Lazarou, de Relações Internacionais da FGV, ressalta que a promessa de Tsipras de renegociar o acordo com o grupo é uma forma dele questionar a legitimidade de instituições como o FMI, dentro da negociação anterior.
— Tsipras está propondo que a Troika não é legítima pra a negociação, colocando que o grupo não deve ser estabelecido como uma instituição da UE. Ele só reconhece a obrigação de seguir tratados estabelecidos pela UE.
Para Lazarou, o discurso da cúpula do BCE, ao detalhar o pacote de ajuda aos países do bloco, divulgado ontem, foi também direcionado à Grécia, já que o país também receberá esta injeção de dinheiro.
—O Mario Draghi (presidente do BCE) declarou que a Grécia está incluída neste bônus, mas só entrará se continuar cumprindo o memorando do pacote de austeridade. Foi um jeito de lembrar que o banco é parte da Troika e que, se a Grécia, negar o acordo não só deixará de receber a ajuda anterior como ficará de fora dos benefícios macros recebidos pelos países do bloco.
Nesta qinta-feira (22), o BCE anunciou um plano para estimular a economia da UE. A cada mês, o banco irá comprar 60 milhões de euros em títulos públicos e privados. Até setembro de 2016, será gerado, com esta iniciativa, mais de 1 trilhão de euros para dar liquidez ao bloco.










