Medidas de segurança de Israel são apenas prevenção da violência na Esplanada das Mesquitas, diz especialista

Palestinos protestaram hoje contra detectores de metal colocados nas entradas do local 

Entrada da Cidade Velha, pelo Portão de Damasco
Entrada da Cidade Velha, pelo Portão de Damasco REUTERS/Amir Cohen

Líderes muçulmanos e facções políticas palestinas convocaram o "dia de revolta" nesta sexta-feira (21) contra as novas medidas de segurança tomadas por Israel para assegurar a segurança da Cidade Velha, em Jerusalém.

Detectores de metal foram colocados no Monte do Templo (para os judeus) ou Esplanada das Mesquitas (para os muçulmanos) após um ataque que deixou dois policiais israelenses mortos no último dia 14. Os agentes faziam a segurança do local, quando três israelenses árabes armados atiraram contra eles. Os agressores também morreram na ação.

Este foi o primeiro atentado com armas de fogo já registrado no local, que ficou fechado por dois dias, explica André Lajst, diretor executivo do IBI (Instituto Brasil Israel).

— Na verdade, isso nada mais é do que uma medida preventiva contra a violência, para evitar que pessoas entrem armadas nesse local sagrado. Se as pessoas que estão indo lá rezar não estão levando armas, não há o que temer.

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No entanto, diz Lajst, esse ato foi visto como uma imposição não justificada para as autoridades muçulmanas, que começaram a se manifestar. O movimento Al Fatah e o Hamas convocaram os protestos de hoje e, devido a isso, as orações terminaram em um clima de tensão e com a polícia tentando dispersar muçulmanos, sendo que alguns se feriram com disparos de balas de borracha e de gás lacrimogêneo.

Pelo menos três palestinos acabaram mortos em confrontos hoje e centenas ficaram feridos, incluindo cinco agentes israelenses. Ontem, a região já havia sido palco de vários incidentes.

— A situação de Israel é muito delicada, porque não existe uma escolha fácil. Se Israel retirar os detectores de metal, as próprias forças de segurança e os cidadãos estariam em risco; e se Israel deixa os detectores, eles são usados como forma de protesto pelos palestinos ou pelos árabes da região, o que pode gerar uma onda de violência que não acabaria hoje.

Ainda segundo Lajst, as medidas de segurança que foram implementadas na Esplanada das Mesquitas já eram usadas em outras partes da Cidade Velha, principalmente nas áreas judaicas.

— Antes das medidas tomadas por Israel, não havia uma revista rigorosa para entrar na Esplanada das Mesquitas, como se passa, por exemplo, para entrar no Muro das Lamentações, onde há detectores de metal e até raio-x. Não é uma questão de correto ou não correto, mas a responsabilidade pela segurança da região é de Israel.

Segundo informações da agência de notícias Reuters, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também limitou o acesso muçulmano ao santuário a homens com mais de 50 anos e mulheres de todas as idades. Bloqueios também teriam sido instalados nas estradas próximas a Jerusalém para parar ônibus transportando muçulmanos para o local.