Oposição faz panelaço contra fraude nas eleições da Venezuela
Maduro reagiu acusando Capriles de golpismo e convocou contramanifestações para os próximos dois dias
Internacional|Do R7

Aos gritos de "fraude", milhares de opositores realizaram um 'panelaço' e queimaram pneus em várias ruas de Caracas na noite desta segunda-feira (15) para rejeitar a proclamação de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela antes da recontagem dos votos da eleição de domingo (14).
Na região da Praça Altamira, no leste de Caracas, a polícia militar enfrentou um grupo de opositores com bombas de gás lacrimogêneo, enquanto outros manifestantes ocupavam as ruas do município de Chacao, segundo a AFP.
Os opositores alegavam fraude sobre a proclamação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) dando a vitória a Maduro por 50,75% dos votos, contra 48,97% para o opositor Henrique Capriles.
No início da tarde, Capriles convocou uma mobilização popular, com panelaços e passeatas que acontecerão hoje e amanhã diante das sedes regionais do CNE para exigir a recontagem dos votos, algo que Maduro qualificou de golpe de Estado.
— Nosso povo vai expressar sua raiva diante de todas as ações por parte de quem detém o poder (...). Nossa luta precisa ser firme, mas pacífica.
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Maduro reagiu acusando a oposição de "golpismo" e convocou contramanifestações para os próximos dois dias.
— Quem pretende vulnerar a maioria da democracia está fazendo uma convocação para um golpe de estado e denuncio que na Venezuela está em andamento a preparação de um ataque às instituições democráticas. Maioria é maioria e isso deve ser respeitado. Na democracia não se pode tentar emboscadas, tramas para vulnerar a soberania popular, a vontade popular (...) Isso só tem um nome: golpismo. Sigo propondo a paz e convoco o povo a lutar em paz, a se mobilizar em todo o país pela paz, mobilizações em todo o país amanhã e na quarta-feira.
Maduro ainda afirmou que Capriles está convocando o povo a violência, reforçando a responsabilidade do opositor em casos de mortes ou pessoas feridas.
Na avenida Chacao, enquanto manifestantes queimavam lixo, pneus e outros objetos, Rosiris Fernández, uma estudante de turismo de 25 anos, argumentava: "não nos deram outra opção que isto".
— Isto é um modo de mostrar nossa raiva porque roubaram esta eleição. É a única maneira de defender nosso voto. Vamos seguir nas ruas, resistindo.
Miriam Palacio, 62 anos, protestava na avenida Francisco de Miranda.
— Aqui houve fraude (...). Aqui há um povo na rua, esta metade que não é povo para eles. Não me importo de morrer pela democracia.
Após sair da cerimônia de proclamação na sede do CNE, cercado por milhares de chavistas, Maduro advertiu o prefeito de Chacao.
— Se passar um centímetro da legalidade, pagará à justiça.
Os estabelecimentos comerciais permaneciam fechados em várias ruas no leste de Caracas, enquanto a polícia de Chacao vigiava vários pontos, mas sem intervir.
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