Logo R7.com
RecordPlus

Presidência francesa realiza reunião de crise após assassinato de jornalistas

Após duas horas de sequestro, jornalistas foram encontrados mortos

Internacional|Do R7

  • Google News
Ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, participa de reunião de crise presidida pelo presidente francês
Ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, participa de reunião de crise presidida pelo presidente francês LIONEL BONAVENTURE/AFP

A presidência francesa realizou uma reunião de emergência na manhã deste domingo (3) a fim de tentar estabelecer as circunstâncias do assassinato de dois jornalistas franceses sequestrados e mortos sábado (2) em Kidal, no norte do Mali.

Os ministros das Relações Exteriores e da Justiça, Laurent Fabius e Christiane Taubira, e um representante da Defesa e da Inteligência participaram da reunião de crise presidida por François Hollande e convocada após os assassinatos de jornalistas da Radio France Internacional (RFI).


Jornalistas franceses são assassinados no Mali

Ghislaine Dupont, de 57 anos, e Claude Verlon, 55 anos, jornalista e técnico de reportagem acostumados a missões difíceis, foram sequestrados à tarde por homens armados diante da residência de Ambéry Ag Rhissa, um representante do Movimento Nacional para a Libertação do Azawad (PMNLA, rebelião tuareg), a quem haviam entrevistado pouco antes.


Seus corpos foram encontrados menos de duas horas depois por uma patrulha francesa alertada do sequestro, cerca de 12 km a leste de Kidal.

O que acontece no mundo passa por aqui


Segundo o chanceler francês, os dois jornalistas foram mortos a tiros. "Os dois foram assassinados friamente. Um recebeu duas balas, o outro três balas", declarou durante a reunião de crise.

O ministro garantiu que a segurança na região será reforçada.


Expressando sua indignação com este "ato hediondo", o presidente Hollande anunciou no sábado esta reunião "para determinar precisamente, em conjunto com as autoridades do Mali e as forças da ONU, as circunstâncias desses assassinatos".

Hollande e o presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keïta, mantiveram uma conversa por telefone na qual afirmaram sua determinação de prosseguir com o "combate comum contra o terrorismo".

As questões em torno das mortes ainda não foram esclarecidas. Segundo Ambéry Ag Rhissa, os sequestradores falavam tamachek, a língua dos tuaregues.

Kidal, localizada a mais de 1.500 km de Bamako, é o berço da comunidade tuareg e do MNLA, que condenou sábado à noite as mortes e prometeu "todos os esforços para identificar os culpados".

Sobre as razões para esses assassinatos, a imprensa francesa evocava neste domingo a hipótese de uma disputa financeira relativa ao resgate pago — 20 milhões segundo algumas fontes — para a libertação de quatro reféns franceses detidos pela Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) por mais de três anos no Sahel, e que retornaram para a França na quarta-feira.

Desde então, Paris reitera que a França não paga o resgate de reféns, mas sem explicitamente excluir que o dinheiro privado pode ser pago.

O Exército francês intervém desde janeiro no Mali, de onde expulsou os grupos islamitas armados que ocupavam o norte do país.

França, Mali e a Minusma, a força de paz da ONU no Mali, colocaram em andamento uma operação conjunta no país há uma semana para evitar um ressurgimento dos movimentos terroristas.

À espera de respostas, as reações de comoção e indignação se multiplicam desde sábado.

O Conselho de Segurança da ONU "condenou energicamente" o sequestro e assassinato dos jornalistas em um comunicado divulgado sábado à noite.

Os membros do conselho expressaram "condolências às famílias das vítimas" e ao governo francês, ressaltando que "em consonância com o direito humanitário internacional, os jornalistas e profissionais da área médica que realizam missões em zonas perigosas de conflito armado devem ser considerados civis e ser protegidos e respeitados como tais".

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.