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Sem governo, Espanha deve crescer mais que Alemanha, França e EUA em 2016

Parlamentarismo espanhol encontra-se paralisado diante da incapacidade para se formar uma base governista

Fábio Cervone, colunista do R7

Apesar da ausência de governo, economia espanhola está apresentando bons resultados
Apesar da ausência de governo, economia espanhola está apresentando bons resultados Reuters
Apesar de ocupar o cargo de primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy amarga uma dura situação em que ocupa a liderança mas não tem poder
Apesar de ocupar o cargo de primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy amarga uma dura situação em que ocupa a liderança mas não tem poder Reuters

Há 261 dias o parlamento espanhol tenta formar uma base aliada capaz de governar o país, porém, mesmo diante da ausência de uma autoridade que lidere a administração pública, sua economia deve crescer 3% em 2016, conforme apontado pelo FMI.

As boas notícias da economia espanhola não param por aí. A taxa de desemprego, uma das maiores do mundo persistente por anos, finalmente caiu consideravelmente de 25,1% em 2015 para 23% em março deste ano.

A Espanha não convive com a ausência de uma liderança unida desde a Guerra Civil ocorrida entre 1936 e 39, mas tal situação não parece resultar em um cenário tão ruim, já que os resultados econômicos recentes obtiveram números muito melhores que os apresentados pelas administrações anteriores.  Por isso, muitos já se perguntam: será que a Espanha precisa de um governo parlamentarista?

O impasse para a formação do poder executivo — que tanto tem funcionado após anos de administrações “estáveis” que pouco trouxeram resultados — é produto de um movimento político que colocou em xeque os grupos tradicionais do poder madrilenho. Desde junho de 2015, os dois partidos que protagonizaram a divisão histórica do parlamento, PP (Partido Popular, de direita) e o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol, de esquerda) falharam ao obter maioria no Congresso.

A incapacidade dos principais partidos espanhóis em formar uma base aliada se dá, sobretudo, pelo surgimento de duas novas forças políticas nacionais: o Ciudadanos e o Podemos. Ambos grupos se organizaram a partir dos protestos populares que mobilizaram milhares de espanhóis quando a recessão atingiu o país em 2008 e nos anos seguintes, atingindo seu auge no ano seguinte quando a economia do país retraiu 3,7%.

Apesar do Ciudadanos ter sua identidade na direita e o Podemos na esquerda, os dois novos partidos rechaçam a política tradicional já que se formaram a partir das ruas e da indignação popular. É exatamente tal indignação que pauta suas posições atuais, em que não aceitam fazer parte de qualquer aliança com os partidos tradicionais, mesmo quando se alinham no mesmo lado da polaridade esquerda-direita.

Partidos da Espanha mostram visões conflitantes para pacto pós-eleição

Após duas eleições gerais, uma ocorrida em dezembro de 2015 e outra em junho deste ano, a Espanha continua sem governo e por isso já discute a possibilidade de se convocar uma nova votação que possa eleger um congresso capaz de formar governo. Atualmente o cargo de chefe de governo permanece nas mãos do conservador Mariano Rajoy (PP) eleito em 2011. Entretanto, sua função é mais decorativa que prática já que Rajoy não pode apresentar novos projetos, leis ou efetuar reformas ministeriais. Além disso, outras funções executivas também estão suspensas, como a escolha de embaixadores para as representações espanholas em outros países (44 postos diplomáticos aguardam substituição).

Sucesso econômico

O “piloto automático” da administração pública na Espanha de fato tem chamado atenção diante dos bons resultados. Muitos analistas apontam tal inércia como parte do sucesso já que do ponto de vista fiscal, o governo não aumentou os gastos e tão pouco pode executar cortes.

Inclusive a autoridade monetária da União Europeia está há algum tempo pressionando o país já que tanto em 2015 quanto em 2016 a Espanha não conseguirá atingir a meta fiscal exigida pelo bloco. Bruxelas afirmou recentemente que Madri precisa cortar pelo menos 10 bilhões de euros no orçamento nacional, algo que dificilmente ocorrerá.

Outros fatores que ajudaram os espanhóis a obter resultados econômicos positivos foi o crescimento do turismo estrangeiro, a queda no preço do petróleo e a redução dos preços de aluguel.

Diante do cenário, muitos investidores estão otimistas. Entretanto, a população parece cada vez mais impaciente já que os políticos nacionais estão há 9 meses ou em campanha eleitoral ou negociando com seus pares a formação de um possível governo.

Resta saber quanto tempo irá durar a paciência de investidores europeus, autoridades em Bruxelas e os cidadãos espanhóis.

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