Sem o mesmo apoio de Chávez, Maduro não poderá cometer deslizes
O sucessor do chavismo terá que enfrentar os muitos desafios nacionais sem prejudicar as conquistas do seu mentor
Internacional|Fábio Cervone, colunista do R7

A vitória de Nicolás Madurona eleição presidencial venezuelana do último domingo (14) não surpreendeu. As pesquisas de opinião e sua ligação direta com o falecido herói nacional Hugo Chávez, que governou o país por 14 anos, eram sintomas claros de seu favoritismo nas urnas. Entretanto, para enfrentar os desafios do novo governo, o político deverá garantir a manutenção dos avanços sociais de seu antecessor sem afetar a unidade do movimento chavista e, ao mesmo tempo, evitar impulsos autoritários prejudiciais ao progresso do ambiente democrático da nação.
Diante desta delicada realidade, até mesmo os tradicionais opositores ao movimento bolivariano temendo o futuro do país, no fundo, torcem para que o recém-eleito governante exerça uma boa gestão nos próximos seis anos de mandato.
Conheça o presidente eleito Nicolás Maduro, sucessor e herdeiro de Chávez na Venezuela
Após vencer sua primeira batalha política ao se eleger presidente da Venezuela, Maduro terá que resolver os problemas econômicos e a crescente violência urbana do país. Porém, o consenso partidário e o apoio popular do líder não possuem a mesma solidez institucional desfrutada pela figura de Hugo Chávez. Consequentemente, essa situação deixa dúvidas sobre a verdadeira capacidade de Maduro como governante. Um fracasso da nova gestão poderá determinar o futuro da nação bolivariana.
Um dos desafios de grande relevância para o novo governo será manter a unidade do movimento chavista representado pelo PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela). Uma suposta fragmentação do grupo prejudicará a atual legitimidade da liderança de Maduro e, possivelmente, acarretará num cenário de instabilidade institucional no partido e na sua gestão.
Desconcertado, Maduro clama vitória diante dos simpatizantes de Chávez
Além disso, para garantir sua força política e fazer valer o discurso bolivariano, Maduro tem a obrigação de dar sequência aos projetos sociais em vigor como o legítimo guardião do legado chavista. Qualquer retrocesso destas conquistas — consolidadas ao longo dos últimos 14 anos por Hugo Chávez — poderá ser entendido como um sinal de que o novo presidente não representa de fato a continuidade do movimento.
Sem a presença de Hugo Chávez, tais incertezas, que pairam sob a nova gestão, poderão alimentar condutas autoritárias tanto dentro do PSUV quanto no âmbito das instituições nacionais. Por isso, mesmo que silenciosamente, os opositores de Maduro desejam que os próximos seis anos não resultem no agravamento dos problemas econômicos atuais e nem afastem o país dos caminhos democráticos.
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