Trump quer impor barreira à importação de aço

Especialista diz que tarifa como analisada pelos EUA contraria as regras da OMC

Anúncio de Trump fez ações de companhias siderúrgicas dos EUA dispararem BBC Brasil

Os EUA deram mais um passo na última quinta-feira (20) na direção do protecionismo, com a abertura de uma investigação que poderá levar à imposição de tarifas na importação de aço, sob o argumento de que a barreira é necessária para a defesa da segurança nacional. Se aprovada, a medida poderá atingirá todos os países fornecedores, entre os quais o Brasil, que foi o segundo maior exportador de produtos siderúrgicos para o mercado americano em 2016.

— Isso não tem nada a ver com a China. Isso tem a ver com o mundo todo. O problema de dumping é um problema mundial.

Na terça-feira (18), ele já havia determinado que as empresas contratadas pelo governo federal deverão usar aço fabricado nos EUA.

Trump fez o anúncio ao lado de sindicalistas e executivos de algumas das maiores companhias siderúrgicas do país, que viram suas ações dispararem ao longo do dia. Os papéis da US Steel, por exemplo, tiveram alta de 7,35%, enquanto os da AK Steel subiram 8,60%.

A investigação foi iniciada com base na "exceção de segurança nacional", um dispositivo pouco utilizado do Ato de Expansão Comercial, de 1962. O texto prevê que o secretário de Comércio poderá propor ao presidente medidas contra determinados produtos, caso sua importação ocorra em quantidades ou circunstâncias que ameacem a segurança nacional.

— O aço é crítico tanto para nossa economia quanto para nossas Forças Amada. Por décadas a América perdeu nossos empregos e nossas fábricas para o comércio internacional desleal. Nós vamos reverter isso.

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O prazo legal para conclusão do estudo é de 270 dias, mas a expectativa do secretário do Comércio, Wilbur Ross, é entregálo em um espaço mais curto de tempo. Segundo ele, mecanismos de defesa comercial, como medidas antidumping, são pontuais e insuficientes para conter o que o governo considera importações excessivas de aço.

Diretor para Comércio Internacional e Investimento do escritório Steptoe & Johnson, o advogado Pablo Bentes disse que uma tarifa como a analisada pelos EUA contraria as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio). Caso seja adotada, a medida será certamente contestada, com grande probabilidade de derrota do governo americano, afirmou.

Em novembro, o Brasil iniciou um processo de consultas na instituição contra medidas antidumping que já foram impostas pelos EUA sobre aços planos exportados ao país pela Usiminas e pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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