Caso Bruno: policial suspeito ligava para cúmplices de dentro da delegacia
José Lauriano, o Zezé, manteve contato com os executores da modelo no dia que ela foi morta
Minas Gerais|Do R7

A denúncia do Ministério Público pelo sequestro, morte e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, cinco anos depois do crime, revela que o policial civil José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, manteve contato telefônico frequente com Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, nos dias em que Eliza esteve sequestrada e foi morta.
No documento apresentado à Justiça na última semana, o promotor Daniel Saliba de Freitas aponta que Lauriano usou até o telefone da delegacia onde trabalhava em Belo Horizonte para tramar a morte da modelo.
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O promotor explica que Lauriano "manteve intenso contato telefônico com os demais envolvidos". As ligações partiram de dois telefones celulares e até "do telefone da Delegacia de Polícia em que estava lotado, no bairro Floramar [região norte de BH]".
Freitas não tem dúvidas da motivação das chamadas. "As ligações eram realizadas principalmente para os terminais telefônicos de propriedade de Macarrão e de Bola. Dessa forma, José Lauriano supervisionou o cárcere das vítimas e acertou os detalhes para o assassinato de Eliza".
A Justiça ainda não tomou decisão sobre o documento, que pede a condenação de Zezé pelo sequestro, morte e ocultação do corpo de Eliza Samudio, pelo sequestro do filho dela, Bruninho, e por corrupção de menores por ter envolvido no crime um primo do goleiro Bruno que era adolescente na época. A denúncia também responsabiliza o policial Gilson Costa por ter ameaçado uma testemunha do processo.
Nova investigação
A abertura de uma nova frente de investigação foi solicitada pelo MP, que, ao obter a quebra de sigilo na Justiça, detectou várias ligações entre Zezé, Gilson e Bola durante toda a semana em que a ex-amante de Bruno foi assassinada. Foram constatadas ainda dezenas de ligações dos mesmos policiais para o braço direito de Bruno, Luis Henrique Romão, o Macarrão, condenado a 15 anos de prisão pelos mesmos crimes.
As quebras de sigilo mostram, por exemplo, que Zezé e Bola, após trocarem ligações, teriam se encontrado na Lagoa do Nado, em Belo Horizonte, no dia do assassinato. Apesar dos indícios, o subinspetor Gilson deixou de ser indiciado pela polícia pelo assassinato de Eliza. “Ele apresentou um álibi perfeito. Conseguiu provar, com várias testemunhas e documentos que, no dia do crime de Eliza, estava em missão em Ituiutaba (MG), onde investigava um sequestro”, justificou ao R7 o delegado Wagner Pinto.
Gilson, no entanto, não conseguiu se livrar de um inquérito administrativo aberto pela Corregedoria da Polícia, o resposabilizou pelo assassinato, tortura e sumiço dos corpos dos jovens Paulo César Ferreira e Marildo Dias, ocorridos em 2008 num sítio em Esmeraldas, alugado por Bola para reuniões e treinamento do GRE. A Corregedoria concluiu que, além de Gilson Costa, participaram dos assassinatos o próprio Bola e outros dois policiais, reconhecidos por uma testemunha ocular dos assassinatos.
Caso Eliza
Eliza tinha 25 anos quando desapareceu, em junho de 2010. No ano anterior, ela teve um relacionamento com o goleiro, então jogador no Flamengo. A jovem brigava na Justiça pelo reconhecimento da paternidade do filho, Bruninho, na época com cinco meses, que seria do jogador. Bruno foi condenado a 22 anos de cadeia pela morte da modelo.













