Mãe e padrasto que mataram menina de dois anos tentaram culpar posto de saúde
Eles levaram a criança já sem vida à unidade de saúde e acusaram o local de negligência
Minas Gerais|Márcia Costanti, do R7

A mãe e o padrasto presos pelo assassinato de uma menina de dois anos em Juiz de Fora, na Zona da Mata, ainda tentaram acusar um posto de saúde da cidade de negligência pela morte da menina. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Rolli, Franciele da Silva Gabriel, de 25 anos e Leonardo José Otaviano, de 28, levaram a criança já sem vida até o PAI (Pronto-Atendimento Infantil) e chegaram a reclamar que o socorro demorou.
Ainda conforme o policial, duas médicas que estavam na instituição de saúde se recusaram a atestar que a morte da criança havia sido acidental, eles relatavam. Por isso, o casal precisou encaminhar o corpo de Luana Rocha da Silva até o IML (Instituto Médico Legal). Chegando lá, a médica legista constatou que as lesões da menina não eram compatíveis com a versão dada pelos suspeitos, de que ela teria caído em casa.
O IML alertou o delegado, que conseguiu prender o casal ainda durante o velório da garotinha. Na delegacia, eles confessaram tudo: Franciele alegou que o marido chutou a filha na cabeça durante uma briga. Questionada, ela ainda argumentou que teve medo de intervir já que era ameaçada pelo companheiro. No entanto, relatos de familiares comprovaram que a mulher tinha uma relação "descuidada" em relação à Luana.
— Ela é uma pessoa negligente, que nunca quis tomar conta da filha, sempre foi alguém sem qualquer tipo de amor para com a filha. Não fala nada. Praticamente diz que deu um tapa na menina e, em seguida, ele [ o padrasto] começou a chutar a cabeça da criança incessantemente. Ela falou que ficou com muito dele.
Luana estava sob a guarda do casal há um mês. Desde os quatro meses de idade, ela era cuidada pelos tios maternos, mas Franciele recuperou a custódia da filha no dia 12 de abril. Diante dos fatos, o casal foi indiciado por homicídio triplamente qualificado, já que o crime foi cometido por motivo torpe, a vítima sofreu tortura e não teve chance de defesa.
Rolli explica ainda que Otaviano já tinha passagens por agressão e violência doméstica contra outras mulheres. Ele foi encaminhado para o Ceresp de Juiz de Fora. Já Franciele está na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. Eles podem pegar mais de 30 anos de prisão.














