Tecelão cego usa de textura dos fios para reconhecer cores
Oliveira produz peças na máquina de tear e dá aulas para outros deficientes
Minas Gerais|Do R7, com Record Minas


Um tecelão com deficiência visual superou a perda da visão a se profissionalizou na produção de tapetes, na cidade de Pará de Minas, região central do estado. O homem consegue, inclusive, reconhecer as cores da peça pela textura do fio.
Antônio José de Oliveira ficou completamente cego aos 20 anos e já sabia que perderia a visão desde os 13. Apaixonado por futebol, ele acabou largando os campos e chegou a pensar que não conseguiria desenvolver mais nenhuma habilidade por causa da deficiência.
— Eu ficava pensando sobre quando minha visão fosse acabar, com o que eu ia trabalhar?
No entanto, Oliveira acabou descobrindo um talento ao frequentar a escola de artesanato da cidade. Ele se formou em tecelagem e, acostumado com a textura dos fios, já sabe identificar as cores de cada linha na máquina de tear.
O artesão trabalha todos os dias com as encomendas que recebe e faz, em média, um tapete por semana. Ele cria todos os produtos sozinho e não erra na tecelagem. As peças são detalhadas e exigem esforço e cuidado para ficarem prontas.
Além do tempo que gasta tecendo para vender, Oliveira também começou a ensinar outras pessoas com deficiência visual a tear, na escola de artesanato. São dois alunos pela manhã e dois à tarde. O professor ensina usando o tato e mostra, com as mãos dos alunos, os erros feitos na máquina de tear.
Para conseguir fazer todo serviço do dia, o tecelão acorda às 5h. Além do esforço físico, ele precisa estar sempre com a memória aguçada para lembrar da ordem dos fios de cada trabalho inacabado. Mesmo com a agenda apertada, Oliveira diz estar muito satisfeito com a vida que leva hoje.
— O prazer de acordar todo dia e saber que tem alguma coisa para fazer, isso é maravilhoso.















