Após invasão, famílias começam a deixar condomínio na zona norte do Rio
Justiça emitiu mandado de reintegração de posse na quinta-feira
Rio de Janeiro|Do R7

Famílias que ocuparam o condomínio do programa “Minha Casa, Minha Vida” em Gudalupe, zona norte do Rio, começaram a deixar o local na tarde desta sexta-feira (14). De acordo com o serviço reservado do Batalhão de Irajá (41º BPM), muitas pessoas ainda estão no local, e a corporação aguarda ordem judicial para retirar os invasores do condomínio. O tenente-coronel da Polícia Militar Luís Carlos Leal, comandante do 41º BPM, conversou com os invasores na manhã desta sexta com a intenção de convencê-los a deixar os apartamentos ocupados.
Há cinco dias, cerca de 200 pessoas entraram nos prédios, incluindo homens armados com fuzis. Os imóveis estavam quase prontos e seriam entregues nas próximas semanas aos proprietários. A Justiça expediu na quinta-feira (13) um mandado de reintegração de posse, apesar do batalhão informar que ainda não recebeu a ordem.
De acordo com a decisão judicial, será usada força policial caso os invasores não aceitem sair pacificamente dos apartamentos. Pela manhã, uma viatura da Polícia Militar e um veículo blindado, conhecido como caveirão, estavam estacionados em frente ao conjunto habitacional.
Na quarta-feira (12), a segurança do condomínio foi reforçada, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, chamou os cerca de 200 invasores de "malandros" e "vagabundos".
— O Minha Casa Minha Vida é para pessoas humildes, que se cadastram, esperam pacientemente a sua vez para ter uma casa própria.
Na manhã desta sexta-feira (14), a rua interna do condomínio tinha uma mensagem escrita com tinta branca em repúdio ao posicionamento de Paes. No texto, os invasores dizem que não são vagabundos, apenas querem uma moradia - veja o vídeo abaixo.
O empreendimento da BR4 Empreendimentos e Participações foi invadido na madrugada de domingo (9) por bandidos armados com fuzis que expulsaram o segurança do local e foram seguidos por moradores de favelas vizinhas. De acordo com as investigações, os bandidos seriam integrantes de uma facção criminosa.
Na decisão, o juiz Paulo Jose Cabana de Queiroz Andrade, da 1ª Vara Cível da Pavuna, considerou que as obras do Residencial Guadalupe já haviam terminado e só aguardava a obtenção do Habite-se. Os imóveis seriam entregues em 60 dias para famílias com renda de até três salários mínimos. O magistrado ressaltou que a reintegração seja feita "com as cautelas de praxe, inclusive auxílio de força policial".
O juiz pediu a identificação dos ocupantes e determinou que a empresa BR4 seja a "depositária dos bens que os invasores se recusarem a retirar do local". Caso sejam encontradas armas e drogas, o material deve ser encaminhado para a 31ª Delegacia de Polícia (Ricardo de Albuquerque), onde o caso foi registrado.
Ele também ordenou a expedição de ofícios para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar e Secretaria Municipal de Assistência Social para auxiliarem no processo de reintegração.
Veja o vídeo:















