Cheiro de urina, desrespeito a mulheres e panes: passageiros relatam ao R7 caos nos trens do Rio
Usuários dos ramais Japeri, Santa Cruz e Saracuruna reclamam de sujeira e falta de segurança
Rio de Janeiro|Do R7

Panes que interrompem a circulação de trens viraram rotina e revoltam passageiros no Rio. A pedido do R7, usuários relataram durante uma semana de setembro suas viagens de ida e volta ao trabalho/escola/faculdade nos ramais Saracuruna, Japeri e Santa Cruz. O balanço não é positivo: eles listaram problemas como atrasos constantes, superlotações, carros sucateados, falta de ar-condicionado, portas emperradas e sujeira nos vagões.
O estudante João Paulo Barbosa, 25 anos, é morador de Japeri, na Baixada Fluminense, e cursa Direito na Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Para escapar da superlotação, ele viaja em sentido contrário até a Central na esperança de conseguir um lugar para se sentar durante o percurso de mais de uma hora. Ele diz que enfrenta problemas diariamente e considera o serviço prestado de péssima qualidade (leia o relato dele).
— A superlotação, atrasos, defeitos nas composições e prestação de serviços ruins já viraram rotina.
A moradora de Ricardo de Albuquerque, na zona norte do Rio, Amanda Araújo, de 21 anos, faz uma avaliação negativa do serviço prestado na linha pela SuperVia, concessionária responsável pela administração do transporte. Ela destacou os atrasos e panes constantes como os piores problemas (confira o relato). Segundo a usuária, quando os problemas ocorrem, os passageiros ficam sem saber o motivo e não recebem recomendações de como agir.
— Pego trem todos os dias e o que aconteceu no dia 24 é resultado de um caos diário que enfrentamos neste transporte privatizado de péssima qualidade: caro, não atende a demanda e enguiça o todo o tempo. Quando enguiça, a Supervia demora vários minutos para informar e, muitas vezes, as pessoas ficam trancadas dentro do trem.
Carla Viviane trabalha e estuda na Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e também usa diariamente a linha Santa Cruz. De acordo com ela, os atrasos são constantes (veja o que ela conta).
— O trem muitas vezes para no meio do trajeto e o maquinista não informa nada. Fora o atraso, o que geralmente acontece, que acaba fazendo com que os passageiros cheguem atrasados em seus compromissos.
As reclamações dos passageiros se repetem nos diferentes ramais. A aluna de Psicologia e moradora de Duque de Caxias, na baixada, Camila Clipes, de 19 anos, diz que o pior é o silêncio da SuperVia ao não esclarecer os atrasos nas viagens (confira o relato dela). Ela também reclama da falta de respeito dos homens dentro dos vagões das mulheres, que são separados para o público feminino na hora do rush.
— O calor é diário nos trens lotados. O calor piora nas composições que tem ar-condicionado porque o mesmo não funciona. Nesses dias, os passageiros abrem as portas.
Outro lado
Em resposta aos atrasos, superlotação, estações e problemas estruturais, a SuperVia disse que tem trabalhado para ampliar o número de lugares ofertados e viagens realizadas por dia. A empresa informou que, no ano passado, 30 trens novos entraram em circulação. A concessionária disse ter antecipado a compra de mais 20 novas composições, que começarão a circular em fevereiro de 2014. Como parte de seu investimento, o governo também encomendou outras 60 novas composições, que deverão começar a entrar em circulação no próximo ano.
A SuperVia ainda afirmou que o novo sistema de sinalização reduzirá o intervalo entre os trens pela metade.
Sobre o valor da passagem, a empresa lembrou que o aumento foi revogado, voltando a custar R$ 2,90. Isso aconteceu após a onda de protestos de junho passado.
Sobre a falta de informações em casos de panes e atrasos, a SuperVia disse que mantém a comunicação com os passageiros por meio do CCO (Centro de Controle Operacional).
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