Comerciante vende carro para ampliar negócios e leva prejuízo com cancelamento da JMJ em Guaratiba
Grupo de amigos investiu R$ 100 mil em lojas em ruas por onde passariam 2 milhões de pessoas
Rio de Janeiro|Pedro Neville, do R7

O anúncio da transferência da vigília e da última missa da Jornada Mundial da Juventude para Copacabana, na zona sul do Rio, foi recebido com frustração e tristeza pelos comerciantes que fizeram investimentos pesados perto do Campus Fidei, em Guaratiba, na zona oeste. As chuvas que caíram nesta semana alagaram a região e impossibilitaram a realização dos eventos, que reuniriam cerca de 2 milhões de peregrinos.
Um grupo de oito amigos microempresários se lamenta por ter gastado R$ 100 mil para alugar lojas no bairro e comprar estoques de comida e bebida. Motivado pela expectativa de grandes lucros, Marcelo Rosa vendeu o carro na tentativa de ampliar os negócios. Em entrevista ao R7, ele se mostrou inconformado com o prejuízo.
— Quando o Exército veio aqui e começaram os boatos de que o evento seria cancelado, fiquei sem chão. Eu tenho oito filhos, deixei de pagar pensão. Vendi meu carro, passei o ponto onde eu tinha um comércio para alugar outro, maior.
Marcelo contou que organizadores da Jornada Mundial da Juventude estimularam os lojistas a ampliar o estoque, a fim de dar vazão à grande quantidade de devotos que faria a peregrinação por Guaratiba. Segundo ele, os amigos comerciantes alugaram estabelecimentos em oito pontos estratégicos do bairro.
— Planejamos isso há dois meses. Nos últimos 45 dias, teve gente que largou tudo para trabalhar só nos preparativos para o evento. Eles [os organizadores] nos alertaram a aumentar a quantidade de mercadorias. Teve gente que pegou dinheiro emprestado. Um amigo usou o dinheiro da venda de uma moto, que estava guardado.
Ainda de acordo com Marcelo Rosa, até a tarde desta sexta-feira (26), ninguém relacionado à organização da Jornada Mundial da Juventude apareceu para prestar apoio aos comerciantes.
— Gostaria de que, pelo menos, a prefeitura permitisse que a gente levasse água, refrigerante e energéticos para vender em Copacabana. Os fiscais da prefeitura disseram para a gente que quem vendesse as mercadorias nas ruas, aqui em Guaratiba, teria o material apreendido. Por isso pensamos em fazer tudo dentro da lei. Alugamos as lojinhas.
O comerciante disse que os estoques de alimentos perecíveis, como salsichões, foram doados para moradores carentes de Guaratiba. Marcelo Rosa pretende se consultar com advogados para tentar diminuir o prejuízo através da Justiça.















