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Estudante morto na UFRJ aprendeu a lutar por medo de agressão homofóbica

Diego Vieira Machado praticava artes marciais e técnicas de defesa pessoal

Rio de Janeiro|Juca Guimarães, do R7

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Diego fez judô e caratê para enfrentar ataques homofóbicos
Diego fez judô e caratê para enfrentar ataques homofóbicos

O estudante Diego Vieira Machado, 24 anos, morto no último sábado (2) dentro do campus da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) era um experiente lutador e conhecia muitas técnicas de artes marciais, como judô e caratê, além de defesa pessoal. 

"Ele era forte e lutava muito bem. Ele sabia que poderia ser vítima de algum ataque homofóbico ou racista e, por isso, se dedicava às artes marciais", disse Pérola Gonçalves, também estudante da UFRJ e amiga de Diego.


De acordo com Pérola, a preocupação de Diego tinha fundamento. "Já tentaram cortar o cabelo dele à força e o clima de aversão e perseguição contra negros, gays e lésbicas é grande. Não sei apontar quem são, até porque quero distância dos racistas, mas existe sim muito conservadorismo reacionário dentro e fora do ambiente acadêmico", disse.

Diego também se preocupava com a segurança dos amigos. "Ele fez questão de me ensinar algumas técnicas de defesa pessoal. Ele me ensinou os golpes necessários para me defender em caso de ataque. Sou negra e ele sabia o quanto o racismo está crescendo dentro da UFRJ", disse Pérola. 


O corpo do estudante foi encontrado às margens da Baía da Guanabara, sem roupa e sem documentos. A polícia informou a existência de marcas de violência, porém, o resultado completo da perícia deve sair nos próximos dias.

"Não sei o que vai acontecer agora. Estamos de luto. Um luto dolorido e cheio de indignação pela morte do nosso querido amigo. Ele foi vítima de uma violência terrível e que acontece diariamente. Isto aqui virou um ambiente muito perigoso para a diversidade. É um retrocesso e uma selvageria", disse a estudante. 


Em nota oficial, a r UFRJ lamentou a morte de Diego e afirmou que vai acompanhar o trabalho da polícia. "A reitoria se junta aos amigos e familiares do estudante neste momento de dor e informa que acompanhará de perto as investigações sobre o caso junto às autoridades policiais", diz a nota da universidade. 

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