Fiscais resgatam chinês em condições de trabalho escravo em pastelaria no Rio
Ao todo, seis chineses já foram resgatados de pastelarias em condições análogas à escravidão
Rio de Janeiro|Do R7

Um chinês, funcionário de uma pastelaria em Vista Alegre, zona norte do Rio, foi resgatado no Rio de Janeiro por fiscais do Ministério do Trabalho, em ação conjunta com o MPT (Ministério Público do Trabalho) e com o Procon Estadual realizada nesta quarta-feira (8). O estrangeiro, de 24 anos, vivia em condições análogas à escravidão. Ele estava sem registro profissional e trabalhava todos dias da semana das 8h às 20h30, ou até o fechamento do estabelecimento.
De acordo com a procuradora do trabalho Juliane Mombelli, apesar de a vítima tenha afirmado não sofrer maus tratos, a jornada exaustiva, sem descanso semanal, configura situação similar a de um escravo.
O chinês disse aos fiscais e aos procuradores que veio ao país ajudado por um amigo e que há cerca de um ano trabalha na mesma pastelaria, onde é o único funcionário além do casal de patrões - ambos chineses. Eles concordaram em pagar indenização que engloba direitos trabalhistas ao jovem e regularizar sua situação de empregado, contratado com registro e com acesso aos direitos trabalhistas que não vinham sendo cumpridos.
Ao todo, seis chineses já foram resgatados durante operações conjuntas do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho no Estado.
"Escravidão" em Copacabana
O proprietário de uma pastelaria em Copacabana, zona sul do Rio mantinha três chineses em condições análogas à escravidão. Ao contrário dos trabalhadores brasileiros, eles não tinham carteira de trabalho, direito à folga e salário. O MPT (Ministério Público do Trabalho) do Rio de Janeiro chegou até o local após uma denúncia anônima.
Junto com o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), agentes do MPT inspecionaram o estabelecimento para regularizar a situação dos estrangeiros. Eles deveriam receber um salário de R$ 1.000, mas o pagamento era retido pelos donos da lanchonete, que também eram chineses. Além de dividir as camas com o estoque de alimentos, havia cadeados no local.
Os donos da pastelaria concordaram em pagar as verbas rescisórias e regularizar a situação trabalhista dos imigrantes, caso eles quisessem continuar trabalhando no local.
Tráfico humano
Em abril de 2013, o chinês Yan Kian Kuam, encontrado pela polícia sendo escravizado em uma pastelaria em Parada de Lucas, zona norte do Rio, revelou que existem pelo menos cinco pessoas que, junto com ele, vieram para o Brasil. O chinês foi encontrado pela polícia muito machucado em um alojamento precário dentro da pastelaria. Segundo as investigações, o primo o escravizou pelos últimos seis meses.
Yan revelou que as pessoas vieram para o Brasil iludidas por uma proposta de emprego e acabaram forçadas a trabalhar sob tortura. O grupo se dispersou na chegada ao País.















