Justiça do Rio ouve PMs suspeitos de matar cinco jovens em Costa Barros
Familiares de vítimas planejavam protesto na porta do TJ nesta tarde
Rio de Janeiro|Do R7

Será realizada nesta segunda-feira (4) uma nova audiência dos PMs suspeitos de matar cinco jovens fuzilados em Costa Barros, no ano passado. Segundo o TJ (Tribunal de Justiça do Rio), os quatro policiais acusados e que obtiveram pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) a liberdade provisória vão participar da audiência e devem ser ouvidos. Familiares dos jovens mortos na chacina planejavam um protesto na porta do tribunal no início da tarde de hoje.
Em nota, a Polícia Militar do Rio afirmou que já cumpriu a decisão da Justiça, mas que os PMs em liberdade cumprem apenas trabalho administrativo, até que o caso seja concluído.
Na semana passada, o defensor público Daniel Lozoya disse que a decisão do STJ (Suprerior Tribunal de Justiça) de conceder liberdade aos policiais não cabe recurso, mas o ministro não impediu que um novo pedido de prisão seja feito.
— A prisão foi revogada por uma deficiência na argumentação do juiz [que acompanha o caso no Rio de Janeiro] e a defesa se apegou a essa brecha. Mas o juiz já negou esse pedido de liberdade várias vezes com decisões bem fundamentadas.
Lozoya afirmou que, após a audiência de hoje, um novo pedido de prisão pode ser feito. Entretanto, ele afirmou que não há nenhuma medida da defensoria prevista para antes da audiência. O defensor falou que as famílias das vítimas estão sendo acompanhadas pelo órgão.
— A gente está em contato com as famílias. Estamos nos aproximando para deixá-las mais seguras.
Relembre o caso
Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Carlos Eduardo Silva de Souza, de 16 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, Roberto Silva de Souza, de 16 anos, e Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos foram mortos após terem o carro alvejado pelos policiais, quando voltavam do Parque de Madureira, zona norte, em 28 de novembro.
Em depoimento à época do crime, uma testemunha afirmou que os policiais sorriram após o fuzilamento. A testemunha afirmou aos investigadores, em depoimento, que conhecia os jovens e que nenhum deles estava armado.
De acordo com a testemunha, Junior, que dirigia o Palio branco em que os jovens estavam, obedeceu a ordem de parada dos PMs. Após encostar o carro, os jovens teriam erguido os braços, sendo que um deles chegou a tirar o corpo para fora da janela com as mãos para cima.
Segundo o diretor do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli), Sérgio William, nenhum disparo partiu do Palio branco onde estavam os jovens.
— Não foram encontrados vestígios, nada que indique que houve disparo de dentro para fora do veículo [em que estavam os jovens].














