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Moradores da favela do Metrô resistem a desapropriação desde 2010

Na terça-feira, moradores fizeram protestos e bloquearam ruas perto do Maracanã

Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

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Moradores protestaram contra remoção na terça-feira
Moradores protestaram contra remoção na terça-feira

É no meio de muito lixo, escombros, esgoto à céu aberto, moscas e ratos que resistem os moradores da favela do Metrô, na Mangueira, zona norte do Rio. Localizada próxima ao estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, palco da final Copa da Mundo de 2014, a comunidade teve a demolição de casas retomada na terça-feira (7) pela prefeitura e os moradores reagiram com protestos pela manhã e à noite contra a possibilidade de perderem seus lares. Nesta quarta-feira (8), o policiamento foi reforçado no local para evitar novas manifestações.

As casas da favela estão sendo desapropriadas e destruídas desde 2010, pois no local está previsto a construção do Pólo Automotivo Mangueira. Entretanto, durante o processo de retirada dos moradores, outras novas famílias se mudaram para a favela do Metrô, ocupando casas já marcadas para demolição.


É o caso da aposentada Vera Lúcia Rios, de 70 anos, que vive com os quatro netos na comunidade. Ela sustenta as crianças depois que a filha, usuária de drogas, saiu e nunca mais voltou.

— Vim para cá, para invasão, porque tenho as crianças, não tenho como pagar aluguel, tenho uma filha que virou usuária de crack há quatros anos e sumiu.


Vera paga um empréstimo e sustenta a família com cerca de R$ 500 por mês. As crianças, entre seis e 12 anos, ajudam como podem. Uma delas auxilia na remoção de fios de cobre para um ferro-velho que fica colado na favela, na avenida Radial Oeste.

Também com a casa para ser demolida, a doméstica Tatiane Souza Gardêncio, cobra auxilio da prefeitura para a mudança e pede um imóvel novo. Ela mora na comunidade há oito meses com oito familiares, entre filhos e netos, depois de deixar a favela em Campo Grande, na zona oeste.


— Eles [a prefeitura] falam que é invasão. Mas eu vou preferir morar na rua com os meus filhos do que na invasão? Não. Eu vim porque estava vazio. Peguei e entre”.

De acordo com o agente da Pastoral de Favelas, Luís Severino da Silva, que acompanha a situação desde 2011, quando a comunidade foi notificada para deixar o local, os imóveis em pé foram apropriados por famílias em situação de vulnerabilidade extrema.


— Tem que fazer uma triagem e realocar essas pessoas urgentemente. Botar todo mundo na rua não resolve.

Para Silva, a prefeitura falhou ao deixar os imóveis da favela do Metrô em pé e em despejar, agora, os novos moradores.

— Essas pessoas não têm uma casa, nunca tiveram. Não adianta despejá-los, jogá-los na rua. Abrigo não funciona. A prefeitura tem que acolher.

A Secretaria Municipal de Habitação disse que as cerca de 630 famílias que viviam originalmente na comunidade foram reassentadas e que os moradores que posteriormente ocuparam os imóveis desapropriados estão inscritos no Programa Minha Casa, Minha Vida, aguardando o sorteio de uma nova moradia. A única alternativa para eles é a espera em abrigos da prefeitura.

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