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Projeto Bagagem oferece oportunidade de intercâmbio para jovens da periferia

Participantes podem pagar parte da despesa com conhecimento; inscrição termina na sexta

Rio de Janeiro|Juca Guimarães, do R7

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Jéssica tem 24 anos e criou um projeto para financiar viagens
Jéssica tem 24 anos e criou um projeto para financiar viagens

Imagine fazer um intercâmbio para o Peru ou qualquer outro estado brasileiro e pagar isso com conhecimento? Essa é a proposta do Bagagem (Programa de Apoio ao Intercambista Popular), que até a próxima sexta-feira (dia 16) recebe propostas de jovens do Rio de Janeiro com idades dentre 18 e 29 anos para os projetos de viagem.

O resultado sai dia 20 de dezembro e a boa notícia é que 50% da viagem é paga com o que a pessoa tem para ensinar, ou seja, com o compartilhamento do conhecimento.


O programa foi criado no começo de 2016 pela produtora cultural Jéssica Oliveira, de 24 anos, moradora da cidade de Nova Iguaçu (RJ). O objetivo, segundo Jéssica, é ajudar os jovens da periferia a fazer intercâmbio e vivenciar experiências capazes de transformar vidas, não somente as deles mesmos, mas as de outros jovens das comunidades em que eles vivem, onde eles devem compartilhar os conhecimentos adquiridos na experiência.

Atualmente, o Bagagem é acelerado pela Incubação Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo e Aliança Empreendedora.


Como participar

Para participar, os candidatos devem preencher um formulário, clique aqui, que passará por uma seleção. Podem participar jovens entre 18 e 29 anos que possuam envolvimento com a comunidade em que vivam e atuem em frentes sociais, acadêmicas, artísticas, esportivas, políticas, religiosas ou de estudos complementares.


O Bagagem financia os custos da viagem com a ajuda de patrocinadores e parcerias e quando retornam para as comunidades de origem, os intercambistas pagam os custos de duas formas: 50% em dinheiro, sem juros e parcelado, para alimentar o projeto e permitir que outros jovens tenham a mesma oportunidade e 50% em ações multiplicadoras, com o que foi aprendido fora do Rio de Janeiro, aplicado às comunidades, tanto para crianças, jovens e adultos.

Neste ano o programa já enviou o jovem Bruno Borges, de 23 anos, do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, para a competição “Gramado Internacional Open Jiu-Jitsu”, em agosto deste ano, no Rio Grande do Sul e como contrapartida, ele oferece o ensino do esporte dentro da favela com ações multiplicadoras.


De acordo com a criadora, Jéssica Oliveira, o programa acredita que o maior valor de uma pessoa está no que ela sabe, não no que ela tem. “Nós oferecemos a oportunidade para que os jovens de periferia possam viajar como intercambistas e ao invés de pagar o valor total da viagem, ele paga apenas 50%, de forma parcelada, quando voltar e o restante, em contrapartida social, com ações afirmativas na comunidade de origem”, explicou.

Cidade peruana de Huancayo fica a 3.052 metros de altitude
Cidade peruana de Huancayo fica a 3.052 metros de altitude

O primeiro intercâmbio internacional oferecido pelo Bagagem, com parceria da Associação Internacional de Estudantes de Economia e Ciências Comerciais (AIESEC) é uma viagem para Huancayo, no Peru, com duração de seis semanas. Ele é voltado a jovens mulheres de 18 a 29 anos, que já atuam em ações de empoderamento feminino, a partir de uma metodologia que trabalha com crianças e adolescentes da pequena cidade de Huancayo, que fica a 3.052 metros acima do nível do maior.

As jovens interessadas podem preencher um formulário de seleção que prevê como contrapartida social o desenvolvido da mesma metodologia utilizada no Peru na comunidade de origem da Intercambista.

O pacote oferecido prevê passagem aérea, translado entre Lima e Huancayo, seguro saúde, duas refeições por dia, hospedagem solidária e pagamento de taxas.

Para participar, os jovens interessados também devem preencher um formulário e apresentar um projeto de multiplicação para quando retornarem para suas comunidades. É possível sugerir e indicar também para onde querem viajar.

Por enquanto, apenas jovens do Rio de Janeiro podem participar das convocatórias do Bagagem, que ainda dá suporte apenas para pessoas com idades entre 18 e 29 anos. O segundo passo é abrir para candidatos do resto do país e, o terceiro, ampliar a idade dos participantes.

R7: Quais as vantagens e aprendizado que um intercâmbio pode oferecer para um jovem da periferia?

Jéssica Oliveira: Partimos da ideia que nem todo mundo tem grana destinada para viagens, mas todo mundo tem conhecimento e vivências que podem ser trocadas. E um intercâmbio é isso, né? Trocas. O mais legal de um intercâmbio é poder sentir na pele uma cultura diferente e pensar no que se pode trazer de novo para sua própria maneira de ver o "seu" mundo. Com o Bagagem, a gente quer que jovens de periferia ampliem seus repertórios e vivam experiencias que o transformem de alguma maneira. Daí, estimulamos que ele use esse aprendizado, essa experiência, para somar na comunidade de onde saiu, afinal, a gente nunca volta de uma viagem sem aquela sensação de novidade.

R7: Você já fez algum intercâmbio? Para onde foi? Que idade tinha? Como foi pago este intercâmbio?

Jéssica Oliveira: Aos 22 eu fui para Nova Iorque a trabalho, quando produzia um grupo de Passinho do Rio de Janeiro. Os custos da viagem foram pagos pelo Lincoln Center e a Secretaria de Estado de Cultura do Rio. Foi uma experiência muito legal tirar passaporte, visto, planejar agenda de turismo e de trabalho... Mas o mais estimulante é estar num país novo e experimentar viver o dia a dia de um lugar completamente diferente do seu. Fora isso, foram muitas viagens pelo Brasil, onde pude conhecer e trocar experiências com pessoas das mais diversas origens. Cada momento de intercâmbio me impulsionou a pensar em alternativas que facilitassem que mais pessoas como eu pudessem transitar pelo próprio país e além dele.

R7: Você pretende expandir as inscrições do Bagagem para jovens de outros estados do Brasil?

Jéssica Oliveira: Com certeza! Agora estamos experimentando várias maneiras de custear o Bagagem e de oferecer opções de intercâmbios. Nosso maior desafio é tornar o negócio sustentável e alcançar o imaginário de mais e mais jovens. Sem dúvida, logo chegaremos a outros estados. E quem sabe, a outros países.

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